ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Mais política, menos juros: as respostas de Powell em dia de ‘superquarta’

Em meio a investigações, intimações, e sucessão no cargo, Jerome Powell evita embates e reforça o foco nos dados econômicos

Por Luana Zanobia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 jan 2026, 17h39 • Atualizado em 28 jan 2026, 20h19
  •  

    O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, passou boa parte da coletiva desta quarta, 28, fazendo aquilo que um presidente de um banco central raramente gosta de fazer: evitar perguntas que não sejam sobre juros.

    A decisão de manter a taxa básica inalterada era amplamente esperada. O que não estava no roteiro era o clima de tensão institucional que pairava sobre a sala. Pela primeira vez desde que veio a público uma investigação criminal do Departamento de Justiça relacionada aos custos da reforma dos prédios históricos do Fed, além de intimações enviadas à instituição, Powell teve de enfrentar diretamente questionamentos sobre sua conduta e sobre o futuro da autoridade monetária.

    A resposta foi cautelosa, econômica e, em vários momentos, evasiva.

    Questionado pela Associated Press sobre sua presença na audiência da Suprema Corte envolvendo o caso da diretora Lisa Cook – gesto criticado pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, como politização do cargo – Powell evitou confronto. “Não respondo a comentários de outras autoridades”, afirmou. Ainda assim, justificou a ida ao tribunal afirmando tratar-se “talvez do caso jurídico mais importante nos 113 anos de história do Fed”. Ao citar Paul Volcker, que compareceu à Suprema Corte em 1985, tentou enquadrar sua decisão dentro da tradição institucional, não da política partidária.

    Continua após a publicidade

    Mas o dano já estava feito. O simples fato de o presidente do Fed precisar explicar por que foi à Suprema Corte é sintomático de um ambiente em que as fronteiras entre política fiscal, jurídica e monetária começam a se misturar.

    A tensão ficou ainda mais evidente quando Powell foi questionado sobre as intimações enviadas ao Fed. “Não tenho nada para informar sobre isso hoje”, respondeu, encerrando o assunto.

    Perguntado pela Bloomberg se pretende permanecer no cargo, voltou a se esquivar.

    Continua após a publicidade

    Powell também se recusou a comentar os movimentos recentes do dólar, devolvendo o tema ao Departamento do Tesouro. Tecnicamente correto, mas politicamente revelador. Em momentos de estabilidade institucional, esse tipo de resposta costuma passar despercebido. Em meio a uma crise latente, ganha outra leitura: a de um banco central retraído, consciente de que cada palavra pode ser usada fora de contexto.

    O mandato de Powell termina em maio, e sua sucessão já começa a dominar as conversas em Washington. A possibilidade de um novo presidente do Fed com perfil mais alinhado politicamente, e potencialmente mais tolerante à inflação, preocupa investidores e economistas atentos à credibilidade do regime monetário americano.

    O mercado, por ora, mantém a calma. As expectativas de inflação seguem ancoradas, e os rendimentos de longo prazo não sinalizam fuga de ativos. Mas a história mostra que a confiança em bancos centrais costuma se perder rapidamente, e levar anos para ser reconstruída.

    Continua após a publicidade

    Durante décadas, o Fed cultivou uma imagem de tecnocracia acima da política. Essa blindagem começa agora a mostrar fissuras. O maior desafio do Fed neste momento não está na curva de juros, e sim na preservação de sua autonomia.

     

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    O mercado não espera — e você também não pode!
    Com a Veja Negócios Digital , você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).