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Maia ameaça deixar articulação política da reforma da Previdência

Presidente da Câmara está incomodado com a ofensiva contra ele nas redes sociais e com a falta de envolvimento do Palácio do Planalto

Por Estadão Conteúdo - Atualizado em 22 mar 2019, 14h59 - Publicado em 22 mar 2019, 13h57

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), avisou ao ministro da Economia, Paulo Guedes, na quinta-feira 21 que deixará a articulação política pela reforma da Previdência. Maia tomou a decisão após ler mais um post do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) com fortes críticas a ele. Irritado, o deputado telefonou para Guedes e disse que, se é para ser atacado nas redes sociais por filhos e aliados de Bolsonaro, o governo não precisa de sua ajuda.

A ligação do presidente da Câmara para o titular da Economia foi presenciada por líderes de partidos do Centrão. Maia está irritado com a ofensiva contra ele nas redes, com a falta de articulação do Palácio do Planalto e com a tentativa do ministro da Justiça, Sergio Moro, de ganhar mais protagonismo na tramitação do pacote anticrime.

“Eu estou aqui para ajudar, mas o governo não quer ajuda”, disse o presidente da Câmara, segundo deputados que estavam ao seu lado no momento do telefonema. “Eu sou a boa política, e não a velha política. Mas, se acham que sou a velha, estou fora.”

Carlos Bolsonaro compartilhou na quinta-feira nas redes a resposta de Moro à decisão de Maia de não dar prioridade agora ao projeto que prevê medidas para combater o crime organizado e a corrupção. “Há algo bem errado que não está certo!”, escreveu Carlos no Twitter.

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O texto acompanhava nota de Moro, divulgada na noite de quarta-feira, rebatendo ataques de Maia a sua insistência em apressar a tramitação do pacote. “Talvez alguns entendam que o combate ao crime pode ser adiado indefinidamente, mas o povo brasileiro não aguenta mais”, afirmou Moro. Além disso, no Instagram, Carlos lançou uma dúvida: “Por que o presidente da Câmara está tão nervoso?”.

A interlocutores, Maia disse que não era possível ajudar a obter votos favoráveis ao governo, nem mesmo construir a base aliada de Bolsonaro na Câmara sendo atacado dessa maneira.

Guedes procurou acalmar Maia. E Bolsonaro foi, mais uma vez, aconselhado a conter seu filho, para evitar uma crise em um momento no qual o governo precisa de votos para aprovar as mudanças nas regras da aposentadoria, consideradas fundamentais para o ajuste das contas públicas.

Defesa da reforma

Hoje, Maia afirmou em sua conta no Twitter que não vai deixar de defender a reforma da Previdência. A afirmação foi feita em resposta a um questionamento da deputada estadual Janaína Paschoal (PSL-SP) na rede social. “Quando o presidente da Câmara ameaça deixar a reforma da Previdência, pergunto: ‘ele está pensando no Brasil?’. Se ele gosta do presidente e de seus filhos, não importa. O que importa é que trabalhe pelo que é melhor para o Brasil! O país precisa da reforma. A questão é matemática!”, escreveu a deputada.

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Maia rebateu, dizendo: “Nunca vou deixar de defender a reforma da Previdência”.

 

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