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Lula diz que Brasil não será apenas exportador de minerais críticos

Presidente condiciona exploração de lítio, terras raras e outros minerais estratégicos à instalação de fábricas no país

Por Carolina Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 nov 2025, 14h55 •
  • O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (24), durante um fórum empresarial em Moçambique, que o Brasil não pretende permanecer na posição de mero exportador de minerais críticos, como lítio, terras raras e outros insumos essenciais para tecnologias digitais e para a transição energética. Segundo ele, o país precisa deixar de enviar essas matérias-primas “a preço baixo” para o exterior e passar a capturar maior valor econômico.

    Lula reforçou que qualquer empresa interessada em explorar essas reservas no território nacional “vai ter que industrializar no nosso país”, destacando que o objetivo é transformar riqueza natural em desenvolvimento interno, renda e empregos qualificados. “O Brasil tem que ganhar esse dinheiro”, disse, ao defender que a exploração mineral seja acompanhada de investimentos em plantas industriais e cadeias produtivas instaladas em solo brasileiro. Para o presidente, esse modelo é parte de uma estratégia de soberania econômica e tecnológica.

    O petista também propôs ampliar a cooperação com países africanos que enfrentam desafios semelhantes e possuem reservas relevantes de minerais estratégicos. Em especial, citou Moçambique como potencial parceiro para uma industrialização conjunta capaz de equilibrar a relação histórica de dependência entre exportadores de commodities e importadores de produtos de alto valor agregado. A ideia, segundo ele, é que Brasil e África construam cadeias produtivas compartilhadas, e não apenas relações de fornecimento.

    Lula afirmou ainda que o governo deve criar uma comissão nacional para mapear todas as riquezas minerais do país e estabelecer diretrizes para sua exploração. A iniciativa faz parte de um esforço mais amplo para reorganizar o setor, garantir controle estatal sobre informações estratégicas e evitar que minerais críticos saiam do país sem contrapartidas industriais.

    A superintendente de Política Regulatória da Agência Nacional de Mineração (ANM), Marina Marques Dalla Costa, reforça que o Brasil tem um papel relevante a desempenhar na diversificação da oferta internacional de terras raras, hoje concentrada na China. “O Brasil entra como um grande potencial parceiro para caminhar nessa diversificação de fornecimento. Temos projetos promissores e um dever de casa a ser feito para transformar esse potencial em desenvolvimento econômico. A janela de oportunidade está aberta, depende de planejamento e investimento tecnológico”, destaca.

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