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Leilões na Espanha e Itália derrubam bolsas da Europa

Por Renan Carreira

Londres – Com exceção de Frankfurt, as principais bolsas europeias fecharam em queda nesta terça-feira. Além de continuarem cautelosos em relação à cúpula da União Europeia (UE) no fim desta semana, os investidores ficaram desanimados com leilões na Espanha e na Itália e dados negativos nos Estados Unidos. O índice Stoxx Europe 600 fechou a sessão em baixa de 0,09%, aos 242,60 pontos.

Na Europa, o índice de confiança do consumidor na Alemanha, medido pelo instituto GfK, subiu para 5,8 pontos, de 5,7 pontos em junho. O movimento foi contrário ao previsto por economistas consultados pela Dow Jones, que projetavam queda para 5,6 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX registrou alta de 0,07%, aos 6.136,69 pontos.

E.ON subiu 3,3% após ter suas ações mais bem avaliadas pelo Bank of America Merrill Lynch. Por outro lado, Infineon recuou 11,8% depois de a companhia emitir um alerta de lucro para o resto de 2012. Siemens caiu 1,5% após o diretor do departamento financeiro alegar que a empresa espera um “caminho pedregoso” para atingir seus objetivos, devido à desaceleração na China e às incertezas na Europa.

A vendas no varejo na Itália caíram 1,6% em abril, na maior retração em pelo menos oito anos e bem pior do que a previsão de queda de 0,2%. Além disso, o Tesouro italiano pagou yield (retorno ao investidor) mais altos em leilão de 3,907 bilhões de euros. Em Milão, o índice FTSE MIB fechou em queda de 1,11%, para 12.968,18 pontos.

Na França, o número de desempregados subiu 1,2% em maio, para 2,922 milhões. O índice CAC-40, da Bolsa de Paris, teve queda de 0,30%, fechando em 3.012,71 pontos. Alstom caiu 1,5% após comentários pessimistas da Siemens. Por outro lado, GDF Suez avançou 1,3% depois de ter seus papéis mais bem avaliados pelo Bank of America Merrill Lynch.

Em Madri, o índice Ibex-35 teve queda de 1,44%, aos 6.528,40 pontos. Na segunda-feira, a Moody’s Investors Service rebaixou os ratings da dívida de longo prazo de 28 bancos espanhóis em um a quatro graus e os ratings de crédito de emissor de dois deles.

Segundo a agência, a decisão resulta da redução da qualidade de crédito da Espanha e da expectativa de que a exposição dos bancos espanhóis a créditos “podres” do setor de imóveis comerciais provocará perdas ainda maiores. Bankia caiu 8,7%, Santander recuou 1,5% e BBVA registrou perda de 1,7%.

Também pesou sobre o ânimo dos investidores um leilão de bônus da Espanha, no qual o país vendeu 3,077 bilhões de euros em títulos de três e seis meses. Embora o montante vendido tenha ficado acima do teto da faixa pretendida – que ia de 2 bilhões a 3 bilhões de euros -, a demanda diminuiu e o yield aumentou em comparação com o leilão anterior.

Além disso, segundo fontes, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse em um encontro com legisladores que a Europa não adotará mecanismos de compartilhamento de dívida, os eurobônus, “enquanto eu viver”. Esperava-se que, com o agravamento da crise e o aumento das pressões nas últimas semanas, a líder alemã pudesse ceder um pouco.

Nos EUA, o Federal Reserve de Richmond informou nesta terça-feira que seu índice de atividade no setor industrial na região caiu para -3 em junho, de 4 em maio. Já o índice de confiança do consumidor americano medido pelo Conference Board caiu para 62,0 em junho, ante 64,4 no mês passado. A previsão dos economistas ouvidos pela Dow Jones era de que o índice recuaria para 63,0. A leitura de junho marcou o quarto mês consecutivo de queda da confiança.

Em Londres, o índice FTSE-100 fechou em baixa de 0,07%, aos 5.446,96 pontos. Royal Bank of Scotland liderou a queda, registrando baixa de 3,8%, uma vez que os investidores continuam preocupados com a situação na zona do euro. Por outro lado, Shire subiu 3,2%.

O índice ASE, da Bolsa de Atenas, avançou 1,59%, aos 575,83 pontos. O índice PSI-20, da Bolsa de Lisboa, terminou o dia em baixa de 2,01%, aos 4.556,36 pontos. As informações são da Dow Jones.