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Leilão de transmissão de energia termina com deságio médio de 13,2%

De 13 lotes ofertados pela Aneel, cinco não tiveram nenhuma oferta. Maior deságio foi pelo lote D, de 36,09%, da espanhola Cymi Holding

O leilão de transmissão de energia realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nesta sexta-feira terminou com deságio médio de 13,2%. Contudo, dos treze lotes ofertados, cinco não tiveram interessados – A, H, I, J e L. Segundo o diretor da agência, Reive Barros, tentou amenizar o fato dizendo que a Aneel vai repensar maneiras de tornar os pleitos mais atrativos. “Independentemente disso, o leilão foi um sucesso, pois tivemos um bom deságio”, disse. A transmissora é a companhia responsável por levar a energia produzida nas usinas elétricas para as distribuidoras locais, de modo que essas possam repassá-la aos consumidores.

O maior deságio foi observado no lote D, de 36,09% em relação à Receita Anual Permitida (RAP), que é o dinheiro que a transmissora receberá pela prestação do serviço público, a partir da entrada em operação comercial das instalações. O pleito é vencido por quem oferecer um ‘preço’ (desconto) maior pelo serviço. A espanhola Cymi Holding venceu o leilão da área D ao oferecer um RAP de 45,569 milhões de reais. Seu objetivo é atender o escoamento do potencial eólico previsto na região central da Bahia (parque eólico Juazeiro da Bahia II), com duas linhas de transmissão de 301 quilômetros (km) nos Estados do Ceará e Rio Grande do Norte e duas subestações. A previsão de entrada em operação comercial de 36 meses. Concorreram também Alupar e Taesa (da Cemig).

A mesma empresa (Cymi) venceu também o lote E, com um deságio de 23,24% em relação à RAP ou 48,835 milhões de reais. Esse lote é composto por linhas de transmissão de 492 km nos Estados do Ceará e Rio Grande do Norte e tem previsão de entrada em operação comercial de 36 meses. A Alupar também concorreu.

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A Abengoa foi a vencedora do lote B, com um deságio de 9,42% sobre a RAP (92,531 milhões de reais), após leilão viva-voz com a Eletronorte. A área, denominada “Travessia do Amazonas” é composta de duas linhas de transmissão que somam 480 km de extensão e quatro subestações, entre os Estados do Pará e do Amapá. Alguns municípios nesta rota de transmissão hoje vivem apenas de geração local a diesel. As obras devem durar até 42 meses.

Também a Abengoa conquistou o lote G ao oferecer uma receita de 36,499 milhões de reais, deságio de 1%. A área é composta de duas linhas de transmissão que somam 195 km e duas subestações, localizados no Pará. O empreendimento representará um reforço ao crescimento industrial previsto para a região sudeste do Pará. O prazo das obras é de 36 meses.

A Alupar foi a vencedora do lote C, ao oferecer uma receita de 28,865 milhões de reais, deságio de 4,99% ante a RAP máxima. Ele é composto de uma linha de transmissão de 40 km e duas subestações, localizados em São Paulo. Conforme a Aneel, o objetivo do empreendimento é atender o aumento da carga no litoral paulista, atendendo os municípios de Cubatão, Guarujá, Santos, São Vicente e Praia Grande. O prazo das obras é de 36 meses.

O consórcio Cantareira, formado pela Copel (49%) e Elecnor (51%) conquistou o lote F, ao oferecer uma receita anual permitida (RAP) de 76,935 milhões de reais, praticamente sem deságio. Fazem parte do projeto uma linha de transmissão de 656 km, que passará pelos Estados de Minas Gerais e São Paulo. Segundo a Aneel, o objetivo do empreendimento é reforçar o atendimento elétrico na região Sudeste, associado ao escoamento da energia da usina de Belo Monte. O prazo das obras é de 42 meses.

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A Copel Geração e Transmissão S.A arrematou o lote K, formado por uma linha de transmissão no Paraná e responsável por garantir o fornecimento de energia na região sudeste do Estado. A empresa também ficou com o lote M, que é composto de uma linha de transmissão em São Paulo e Paraná. Nesse caso, o deságio foi de 6,53% em relação à RAP

Ainda segundo a Aneel, os empreendimentos licitados vão demandar investimentos na ordem de 4,3 bilhões de reais em 11 Estados: Pará, Amazonas, São Paulo, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Mato Grosso, Piauí, Tocantins e Paraná. “A previsão é de geração de 13.396 empregos diretos.” O prazo de conclusão das obras será de 24 a 43 meses e os contratos de concessão são de 30 anos.

(com Estadão Conteúdo)