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Latam projeta fim da recuperação judicial e quer voltar ao ‘azul’ até 2024

Aérea pede maior prazo para apresentar plano de recuperação para analisar ofertas de financiamento; companhia descarta fusão com concorrentes

Por Felipe Mendes Atualizado em 10 set 2021, 20h11 - Publicado em 10 set 2021, 11h23

Em busca de uma reestruturação, a companhia aérea Latam anunciou nesta sexta-feira, 10, que recebeu múltiplas ofertas de financiamento avaliadas em mais de 5 bilhões de dólares cada uma. Sem prestar mais detalhes, a empresa divulgou que as propostas foram apresentadas por parte de seus principais credores e acionistas majoritários. Sabe-se que os fundos Oaktree e Knighthead são alguns dos credores mais ativos no processo de recuperação judicial da Latam. Diante do número de ofertas recebidas, a companhia pediu a prorrogação do prazo para negociação exclusiva, para até o dia 15 de novembro, com limite para aprovação do plano no Capítulo 11 — artigo da lei de falências americana que é equivalente a recuperação judicial no Brasil — até 15 de dezembro de 2021.

Em entrevista coletiva, Roberto Alvo, CEO da Latam, disse que o financiamento permitirá com que a companhia saia do processo com uma estrutura de capital mais robusta. A empresa almeja recuperar a rentabilidade operacional aos níveis anteriores à pandemia de Covid-19 até 2024. O objetivo, até 2026, é aumentar o resultado operacional em 78% em relação ao período pré-pandêmico. “Temos atualmente uma liquidez de 1,9 bilhão de dólares. Somos a companhia com maior liquidez da região”, diz. “O pedido de extensão do prazo de exclusividade até o dia 15 de novembro é para avaliarmos e negociarmos da melhor maneira.”

O executivo enfatizou que a companhia não deve firmar acordo de fusão com nenhuma concorrente do setor aéreo. Nos últimos meses, a Azul mostrou-se interessada no negócio. “Eu compreendo bem que há interesse de Azul de se defender, mas acredito que o caminho que nós estamos tomando é o correto. Todo o mercado acredita que estamos no caminho correto. A Latam não tem intenção de vender nenhuma unidade do grupo, seja a do Brasil, Colômbia ou Equador. São sinergias importantes para o grupo. Após a saída do Chapter 11, acreditamos que os nossos planos vão ser bons para o Brasil”, afirmou Alvo. “Eu ficaria preocupado se fosse concorrente da Latam.”

Segundo a empresa, a recuperação é apoiada pelo aumento operacional no mercado doméstico da Latam Airlines no Brasil, que atingiu a capacidade de 77% em agosto, em relação a 2019, e deve ultrapassar 100%, em relação a 2019, no início de 2022. O mercado doméstico das afiliadas na Colômbia, Equador, Peru e Chile já atingiu 72% em agosto, enquanto a recuperação internacional do grupo, tanto os voos curtos na região quanto os longos, continua a ser afetada por restrições de viagens. Em relação a 2019, a receita total deve crescer 13% até 2026, enquanto as receitas de passageiros e de cargas devem crescer 8% e 59%, respectivamente.

“Nosso plano de negócios fala que esperamos uma recuperação completa até 2022. No Chile e no Brasil, isso se dará no começo do próximo ano. É uma linha consistente com as projeções da maioria dos analistas. Todos nós sabemos das restrições de viagens internacionais, particularmente hoje para os Estados Unidos. Ninguém sabe ainda como essas restrições vão mudar com o tempo, mas nós vamos recuperar a nossa operação internacional à medida em que a demanda para viajar volte a existir”, disse Alvo. “Quando essas restrições mudarem, nós vamos aumentar a nossa operação. A Latam é a única companhia que conectava a América do Sul com outros cinco continentes. Esperamos voltar a fazer essa mesma coisa quando as restrições para viagens terminarem e as demandas voltarem. Mas, a nossa expectativa hoje é que a retomada do mercado internacional será um pouco mais lenta.”

Pandemia

A despeito das dificuldades em tempos pandêmicos, Alvo disse que a empresa tem observado uma retomada do mercado corporativo nas últimas semanas, sobretudo no Brasil e no Chile. “Estamos olhando uma recuperação paulatina nos países em que atuamos. No Brasil, a recuperação do mercado corporativo tem sido mais forte nas duas últimas semanas. Ela fica ainda abaixo dos índices pré-pandemia, porque muitas companhias devem estar restringindo viagens para seus funcionários, mas temos visto uma recuperação muito interessante no Brasil e no Chile, que é menos forte no Peru, mas boa no Equador e também na Colômbia”, afirmou.

Durante a pandemia, a empresa apresentou iniciativas de redução de custos, incluindo mais eficiência por meio da transformação digital, renegociação com fornecedores e reestruturação da frota, que somam mais de 900 milhões de dólares ao ano, o que tem permitido com que a empresa modifique sua base de custos. Os custos de frota, sozinhos, representam mais de 40% da economia de caixa anual em comparação com 2019.

Em 31 de julho de 2021, a LATAM reportou uma liquidez de aproximadamente 1,9 bilhão de dólares, que considera 1,1 bilhão de dólares em caixa e 800 milhões de dólares em financiamento não sacado. A empresa prevê uma possível terceira parcela adicional (“Tranche B”) de financiamento garantido de até 750 milhões de dólares, além das linhas existentes de 1,3 bilhão de dólares na Tranche A e de 1,15 bilhão de dólares na Tranche C, cujos recursos não foram integralmente sacados até o momento. 

 

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