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Juro futuro cede em reação ao nível de emprego nos EUA

Por Da Redação - 9 abr 2012, 16h53

Por Márcio Rodrigues

São Paulo – Os investidores em juros futuros dedicaram a segunda-feira a retirar prêmios das taxas e corrigir os preços após o fraco relatório do mercado de trabalho nos Estados Unidos, conhecido na sexta-feira, quando o mercado brasileiro fechou devido ao feriado da Semana Santa. Com isso, as taxas curtas e, principalmente, as longas registraram queda considerável em reação ao movimento já visto nos Treasuries na sexta-feira e que teve continuidade nesta segunda-feira.

Internamente, a revisão da estimativa do mercado para o IPCA em 2012, de 5,27% para 5,06%, na pesquisa Focus, foi apenas “matemática”, devido à desaceleração da inflação oficial em março. O IGP-DI e o IPC-S, por sua vez, ficaram em linha com as expectativas.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013 (206.190 contratos) estava em 8,71%, de 8,73% na quinta-feira. O DI janeiro de 2014, com giro de 219.930 contratos, indicava 9,18%, de 9,27% no ajuste anterior. Entre os vencimentos mais longos, o recuo dos prêmios foi mais sensível. O DI janeiro de 2017 (80.625 contratos) caía para 10,37%, de 10,54% na quinta-feira, enquanto o DI janeiro de 2021 (1.755 contratos) cedia a 10,82%, de 10,98%. Esse trecho da curva espelhava o movimento do T-note de 10 anos, que marcava 2,038%, de 2,178% na quinta-feira.

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O dado de trabalho nos EUA mostrou que a recuperação econômica da maior economia do mundo prossegue, mas em ritmo lento. Segundo o relatório do mercado de trabalho (payroll) divulgado na sexta-feira, apenas 120 mil vagas foram criadas na economia do país em março. O dado corroborou o compromisso sinalizado pelo Federal Reserve de manter a taxa de juros baixa nos EUA até o fim de 2014. Além disso, o número bem abaixo das 203 mil vagas esperadas suscitou análises de que as chances de o Federal Reserve adotar uma terceira rodada de afrouxamento quantitativo (QE3, na sigla em inglês) cresceram.

Por aqui, o movimento de corte de juros nos bancos públicos, apesar de trazer alguma apreensão em relação aos impactos deste estímulo para a inflação, também mostra a disposição do governo em estimular o crescimento econômico. Nesta segunda-feira, a Caixa Econômica Federal anunciou um corte nos juros nas linhas de crédito para pessoa física e micro e pequenas empresas. No cheque especial, por exemplo, a taxa baixou 67%, para até 1,35% ao mês. No financiamento de veículos, caiu para 0,98% ao mês. Nas linhas em que os juros ficaram menores, o banco espera liberar R$ 71 bilhões entre abril e dezembro. Na semana passada, o Banco do Brasil já havia tomado a mesma atitude.

No campo inflacionário, o IGP-DI subiu 0,56% em março, após alta de 0,07% em fevereiro. O resultado ficou próximo da mediana de 0,51% esperada pelo mercado, conforme pesquisa do AE Projeções. A inflação apurada pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) desacelerou para alta de 0,58% na primeira quadrissemana de abril, ante 0,60% na medição anterior.

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