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Irã deixa de vender petróleo a França e Reino Unido

País interrompe embarques numa resposta ao embargo gradual decidido pela própria UE; ao mesmo tempo, Teerã defende retomada rápida das negociações

Por Da Redação 19 fev 2012, 15h49

O governo do Irã reiterou neste domingo a disposição em retomar rapidamente as negociações com as grandes potências sobre seu polêmico programa nuclear, pouco antes de suspender a venda de petróleo para a França e o Reino Unido. Teerã quer um acordo que permita “que ambas as partes saiam ganhando”, disse o chanceler iraniano, Ali Akbar Salehi. “Entendemos a posição da outra parte e queremos dar a ela a possibilidade de salvar as aparências. Vamos participar destas conversas com um enfoque positivo e esperamos que eles venham com boa vontade”, acrescentou.

Pouco mais tarde, o porta-voz do Ministério do Petróleo do Irã, Alireza Nikzad, indicou que as vendas de óleo cru para as companhias britânicas e francesas foram interrompidas. “Decidimos fornecer nosso petróleo a outros clientes”, acrescentou, citado pelo site oficial do ministério. O Irã é o segundo maior produtor da Opep, com uma produção de 3,5 milhões de barris diários, dos quais exporta 2,5 milhões de barris/dia.

O Irã vende pouco mais de 20% de seu petróleo para a União Europeia (cerca de 600.000 barris/dia), principalmente à Itália, que comprou cerca de 185.000 barris diários em 2011 (13% de suas importações), à Espanha (161.000 barris, ou seja, 12% de suas importações) e à Grécia (103.000 e 30% respectivamente). O anúncio deste domingo pode representar uma advertência para esses países. Em 2011, a França importava 58.000 barris diários de petróleo iraniano, cerca de 3% de suas necessidades.

O Irã havia anunciado na última quarta-feira que revisará para baixo suas vendas de petróleo aos países europeus, embora não vá interrompê-las “no momento”, respondendo, com isso, ao embargo gradual sobre o petróleo iraniano decidido anteriormente pela própria União Europeia (UE).

Na sexta-feira, a chefe da política externa da UE, Catherine Ashton, e sua colega americana, Hillary Clinton, haviam saudado o envio por parte de Teerã de uma carta na qual dizia estar disposto a retomar as negociações sobre seu programa nuclear. O principal negociador iraniano para a questão nuclear, Said Jalili, propôs nessa carta às potências do grupo 5+1 – Estados Unidos, China, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha – a retomada das negociações sobre o programa nuclear iraniano, se for respeitado o seu direito à energia atômica com fins pacíficos.

O general Martin Dempsey, chefe do Estado-Maior conjunto americano, afirmou no programa “Fareed Zakaria GPS” da rede CNN que considera “prematuro” optar por um ataque militar contra o Irã por causa de seu programa nuclear neste momento. “Creio que as sanções econômicas e a cooperação internacional obtida em torno das sanções estão começando a surtir efeito”, afirmou.

No sábado à noite, antes do começo de uma visita do conselheiro de segurança nacional do presidente americano Barack Obama, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas israelenses, o general Benny Gantz, afirmou que seu país tomará a decisão de atacar o Irã sozinho. Essas declarações coincidem com a chegada a Israel do assessor de segurança nacional americano Tom Donilon para manter “consultas com autoridades israelenses sobre diversos temas”, entre eles o Irã.

(com Agence France-Presse)

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