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IPI pode tirar do Brasil investimento de US$ 500 milhões

Foton Aumark, maior montadora de caminhões da China, pode transferir projeto de nova fábrica para o México se decreto do IPI não for revisto

Por Da Redação - 25 out 2011, 15h59

O Brasil poderá perder para o México investimentos de 500 milhões de dólares em uma fábrica de caminhões caso seja mantido o decreto presidencial nº 7.567 que regulamenta a elevação de 30 pontos porcentuais do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos importados. A afirmação, é do presidente da Foton Aumark do Brasil, Luiz Carlos Mendonça de Barros, feita nesta terça-feira durante o lançamento oficial da empresa no País durante a Fenatran – 18º Salão Internacional do Transporte, realizado no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo.

A empresa, formada com 100% de capital nacional, inicia suas operações no Brasil com a importação e distribuição dos veículos da marca Foton, maior montadora de caminhões da China. Mendonça de Barros disse que vem conversando com o governo sobre a maior taxação de veículos importados e está esperançoso de que se chegará a uma boa solução, já que o aumento do IPI vai encarecer em até 15% os caminhões nacionais e em até 25% os importados.

“Estamos tentando mostrar para o governo que essa medida vai congelar a indústria de caminhões no país”, afirmou. Ele frisou, no entanto, que os chineses da Foton já estudam a possibilidade de exportar CKD (Completely Knock-Down, em inglês) ou conjuntos de partes para montar no México os caminhões que entrarão no Brasil.

De acordo com Mendonça de Barros, desde o primeiro contato com os chineses, em 2009, até o lançamento das três primeiras concessionárias, no começo de 2012, passando pelos processos de homologação, importação e contratação e treinamento de funcionários, a Foton Aumark do Brasil acumula investimentos de 30 milhões de reais. As três concessionárias serão montadas em Várzea Paulista, Guarulhos e na Via Anchieta.

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A empresa decidirá se vai ou não efetivar a construção da fábrica no Brasil até 2014. A ideia é lançar a pedra fundamental da nova planta no começo de 2015, mas o projeto está condicionado à manutenção ou não da cobrança dos 30 pontos porcentuais do IPI incidente sobre veículos importados.

IPI e metalúrgicos – Mendonça de Barros afirmou que a elevação do imposto se deu por conta do aumento dos salários dos metalúrgicos. “As montadoras teriam de reajustar em quase 15% os salários dos funcionários e, com isso, resolveram aumentar os custos dos importados”, disse. Para ele, se a ideia é criar empregos no Brasil e se isso for bem-feito, a iniciativa é válida. “Não estamos aqui para criticar as decisões do governo”, afirmou. Mas ele ponderou que é impossível uma fábrica se instalar no país já com 60% de nacionalização.

A Foton Aumark do Brasil espera vender 200 unidades dos modelos de 6,5 e 8,5 toneladas em 2011. Isso já representaria 2% de participação do mercado nacional na categoria, mesmo tendo iniciado suas atividades no Brasil no final de outubro. Para o primeiro ano de atividade no Brasil, a expectativa de Mendonça de Barros é vender 2 mil veículos, mas o objetivo é atingir uma participação de 15% do mercado de caminhões até 2015.

Mendonça de Barros disse ainda que a empresa estuda trazer para o Brasil um braço financeiro de um grande banco chinês para financiar os caminhões da Foton com capacidade de carga superior a 8,5 toneladas. Isso porque esta categoria se enquadraria no Finame (linha de financiamento do BNDES para produção e aquisição de máquinas e equipamentos novos, de fabricação nacional). Como esta linha não financia veículos importados, a Foton Aumark do Brasil está negociando com bancos chineses para financiar estes bens.

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(com Agência Estado)

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