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IPCA de janeiro mostra inflação resiliente, mas cortes de juros continuam no radar

Inflação de serviços continua acelerada, puxada pelo custo da mão de obra

Por Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 fev 2026, 10h39 • Atualizado em 10 fev 2026, 10h43
  • A inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou em 0,33% em janeiro, dentro do esperado pelo mercado. O dado foi impactado pela alta de gasolina, que subiu 2,06%. Analistas consultados por VEJA apontam que o número mostra uma diminuição na velocidade do processo de desinflação, que ainda continua em curso.

    Para André Valério, economista sênior do Inter, a leitura do IPCA veio em linha com a expectativa de uma alta de 0,31%. No entanto, ele pondera que houve uma piora na margem, do aspecto qualitativo da inflação, com a média dos núcleos mantendo-se em patamar elevado, assim como a inflação de serviços subjacentes, que é uma medida mais sensível às condições de demanda.

    “Isso sugere que o mercado de trabalho aquecido ainda segue sendo um entrave para a desinflação de serviços, que ainda se encontra em patamar elevado, acumulando alta de 5,28% nos últimos 12 meses”, disse Valério.

    Lucas Ghilardi, especialista em investimentos e sócio da The Hill Capital, explica que o dado não pode ser interpretado como um repique inflacionário. Ele diz que a inflação parou de cair na velocidade desejada devido ao comportamento de dois grupos específicos: transportes e serviços.

    “No entanto, não vemos um repique ou deterioração, pois para isso seria necessário uma reversão clara da tendência de queda com altas generalizadas”, afirma. “Em suma, o processo de desinflação não acabou, mas ele se tornou mais lento e difícil”, conclui Ghilardi.

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    Lucas Ghilardi estima que a inflação deve encerrar o ano em 4%. Já André Valério calcula um IPCA em 3,90% ao fim de 2026, ou seja, o indicador deve continuar acima do centro da meta.

    Copom deve cortar juros?

    Humberto Aillon, professor na FIPECAFI, explica que o número demonstra uma resistência na queda e afasta o BC do atingimento da meta. No entanto, ele comenta que o corte de juros da próxima reunião está mantido, mas de forma mais conservadora. “Avaliando os resultados divulgados hoje eu não acredito em cortes acima de 0,5 ponto percentual na Selic na próxima reunião em março, mantendo a expectativa de 0,25 ponto percentual 0,5 ponto percentual de corte”, diz o professor.

    André Valério,  do Inter, aposta em um corte de 0,5 ponto percentual. Segundo ele, uma redução de apenas 0,25 na reunião de março passaria a impressão de baixa convicção do comitê para o início do ciclo de cortes. “Dado o aperto monetário elevado, o comportamento da atividade e da inflação, acreditamos que um corte de 0,5 ponto percentual é consistente com o cenário base do Copom”, argumenta Valério.

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    De modo geral, os analistas estimam que a Selic deve cair de dois a três pontos percentuais até o fim de 2026. Júlio Miragaya, conselheiro do Cofecon, faz parte da ala com expectativa mais conservadora. Para ele, a taxa deve ir para 13% ao ano. Ele tem essa estimativa com base no comportamento do Copom de Gabriel Galípolo, que tem sido conservador e pouco tolerante com a inflação.

    “Penso que para deixar de emperrar o crescimento econômico, a Selic deveria ser reduzida em pelo menos 5 pontos percentuais, mas temo que o Copom não faça sequer metade desse corte”, diz o economista, que é o único destoante entre os quatro consultados. Já os demais concordam a postura do BC de não ser tão tolerante à inflação.

    De modo geral, a inflação de janeiro mostrou uma redução no ritmo da desinflação, no entanto, as perspectivas para corte de juros continuam até o fim do ano, com o valor final da Selic ainda em aberto, podendo ir de 12% a 13% ao ano.

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