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Internet banking puxa aumento de transações bancárias

Por Rodrigo Petry

São Paulo – As operações realizadas por meio do internet banking puxaram o crescimento das transações bancárias no ano passado, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban). O balanço das operações realizadas em 2011 apontou um aumento consolidado de 12%, para um total de 66,4 bilhões de transações. As operações com internet banking, por sua vez, cresceram 20%, totalizando 15,7 bilhões.

“O internet banking vem ganhando espaço entre os meios de transação, sendo atualmente o meio com maior participação”, disse o diretor de tecnologia da Febraban, Luis Antonio Rodrigues, em entrevista a jornalistas. No ano passado, a fatia do internet banking nas transações bancárias como um todo foi de 25%, frente a 13,5% do autoatendimento, 12,5% dos cartões, 6,8% das agências e 5,2% dos correspondentes.

Segundo a pesquisa, a penetração de contas correntes ativas com internet atingiu 46% no Brasil, próxima aos 56% do Reino Unido, 54% dos EUA e 50% da Alemanha. O número de contas correntes com internet banking no Brasil cresceu 11% no ano passado, para 42 milhões. “O acesso à banda larga, associado a investimentos em segurança, viabiliza o maior uso do internet banking”, afirmou Rodrigues.

Também houve crescimento no número de operações bancárias realizadas por meio de smartphones e tablets, o mobile banking. No ano passado, cerca de 3,3 milhões de correntistas fizeram uso deste meio, representando um acréscimo de 49% sobre 2010. A expectativa da Febraban é de que entre cinco e sete anos este meio se torne tão relevante quanto o internet banking.

Agências

Segundo o levantamento da Febraban, o crescimento do número de agências em 2011 superou a expansão dos últimos cinco anos. O Brasil terminou o ano passado com 34,2 mil postos tradicionais e agências bancárias, representando um acréscimo de 5,2% sobre 2010. Apenas nas agências, o incremento foi de 7,5%, para 21,3 mil.

O total de contas correntes somou 92 milhões em 2011, ante 89 milhões em 2010 – alta de 3,3%. Já os clientes com contas poupança totalizaram 98 milhões no ano passado, número quase estável frente aos 97 milhões de 2010. A Febraban destacou que a bancarização da população avançou 6,3% no ano passado, atingindo 54 milhões de pessoas. “O perfil dos clientes bancários se diversifica e faz com que os bancos tenham de se adaptar e customizar seus modelos de atendimento”, afirmou.

Os postos eletrônicos de atendimento somaram 48 milhões no ano passado, representando uma alta de 7% sobre 2010. A Febraban avalia que essa tendência deve seguir pelos próximos anos, elevando sua relevância como canal bancário.

Já os correspondentes bancários recuaram 2,5% no ano passado, para 161 milhões. “Depois de um crescimento acentuado nos últimos 10 anos, o número tende a se estabilizar”, avaliou Rodrigues. Porém, o canal seguirá relevante para transações bancárias.

O número de terminais de autoatendimento somou 182 milhões no ano passado, frente a 179 milhões do ano anterior. Desse total, cerca de 67% estão adaptados para pessoas com deficiências.

Investimentos

Os investimentos e as despesas com tecnologia dos bancos somaram R$ 17,9 bilhões no ano passado, ante R$ 16,1 bilhões em 2010 – alta de 11,1%. “A terceirização de desenvolvimento de software é o que mais cresce, mostrando que os bancos já estão se preparando para os desafios tecnológicos”, afirmou Rodrigues. Os gastos com software representaram mais de 30% das despesas e investimentos em tecnologia dos bancos.

Em comparação a outros países, o Brasil perdeu em 2011 apenas para Estados Unidos (US$ 94,2 bilhões), Alemanha, França e Reino Unido (US$ 44,3 bilhões) e Japão (US$ 36 bilhões) em termos de investimento em tecnologia. Em dólares, os bancos brasileiros investiram US$ 9,9 bilhões. Logo em seguida vem a Austrália, com US$ 5,6 bilhões. “Projeções mostram que os bancos brasileiros vão aumentar seu nível de despesas e investimentos em tecnologia em 42% até 2015”, disse Rodrigues. “Isso representará um aumento médio 2,5 vezes maior, aproximadamente, que a média global, projetada em 18% para o período”, complementou.

A pesquisa da Febraban, realizada em parceria com a Booz&Company, contou com a participação das 16 principais instituições financeiras que operam no Brasil, correspondentes a 90% dos ativos bancários.