Insegurança jurídica na Venezuela não se resolve com novas leis
Venezuela aposta em reforma legislativa do petróleo na assembleia nacional para atrair investidores
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, pediu à Assembleia Nacional a aprovação de uma reforma parcial da Lei Orgânica dos Hidrocarbonetos. A proposta incorpora os modelos produtivos previstos na Lei Antibloqueio e busca garantir proteção jurídica para novos investimentos, inclusive em campos ainda inexplorados ou sem infraestrutura. O objetivo declarado é abrir o setor petrolífero estatal ao capital externo e ampliar a arrecadação para serviços públicos e projetos de desenvolvimento.
Para Danilo Igliori (Nomad Investimentos), a mudança pode destravar a oferta no médio prazo, mas o processo tende a ser lento. “O nome do jogo é a insegurança jurídica”, avalia. Segundo ele, a credibilidade necessária para atrair empresas estrangeiras dependerá de contratos de longo prazo, garantias legais e melhorias de infraestrutura — fatores que só o tempo poderá consolidar, após anos de incentivos fracos ao principal setor da economia venezuelana.
Na mesma linha, o economista Marcus Labarthe (GT Capital), vê a sinalização como positiva, desde que as mudanças sejam graduais. Ele lembra estimativas de até US$ 110–120 bilhões em investimentos necessários para revitalizar a indústria e ressalta que investidores só avançarão com a certeza de continuidade das regras, mesmo em cenários políticos futuros. A precariedade do parque de refino local, acrescenta, indica que parte do petróleo poderá ser processada fora do país, especialmente nos Estados Unidos.





