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Infraestrutura recebe mais investimento externo

Por AE

São Paulo – A participação da infraestrutura nos investimentos estrangeiros atingiu o maior patamar desde a privatização: 35,8% do total recebido pelo Brasil entre janeiro e julho deste ano. Trata-se do maior porcentual desde 2000, quando a fatia do setor alcançou 48,6%, segundo dados da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib). Nos sete meses de 2011, a infraestrutura recebeu US$ 14,8 bilhões, quase quatro vezes mais que o verificado em igual período do ano passado.

O resultado foi puxado pelos setores de petróleo, energia elétrica e telecomunicações. Nesse último caso, a entrada de dinheiro foi decorrente das operações de compra da OI pela Portugal Telecom e da Vivo, pela Telefónica, que inundou o mercado nacional de dólares. Mas, mesmo excluindo esses valores, o investimento estrangeiro em infraestrutura neste ano continua sendo superior ao verificado nos últimos períodos.

“Mesmo levando em conta que há recursos que entram em operações de reestruturação, o resultado é expressivo e acredito que o País tem potencial para manter a entrada de investimentos estrangeiros em patamar elevado e até crescer ainda mais”, afirma Paulo Godoy, presidente da Abdib. Ele destaca o setor de petróleo, que neste ano recebeu 11,5% dos investimentos estrangeiros nos País. A expectativa é que a exploração do pré-sal atraia uma série de projetos em toda cadeia de fornecedores de equipamentos. Isso sem contar os investimentos diretos na produção de óleo.

O setor de energia elétrica também teve resultado bastante positivo no período. Recebeu R$ 2,83 bilhões e ficou com 6,9% dos recursos externos. A exemplo do que ocorreu em telecomunicações, o segmento também teve entrada de dinheiro decorrente de aquisições. Mas boa parte do montante foi para tirar novos projetos do papel. A área de energia eólica, por exemplo, atraiu muito capital externo nos últimos meses.

Com a crise internacional e a queda na demanda do mercado americano e europeu, muitas empresas decidiram explorar os ventos brasileiros. As boas oportunidades no mercado interno impulsionaram não apenas o setor como também toda a cadeia de fornecimento de equipamentos. Fabricantes espanhóis, argentinos e indianos desembarcaram no País dispostos a investir para abocanhar uma fatia do mercado.

A atratividade dos setores de telecomunicações, energia elétrica e petróleo, no entanto, não se repetiu na área de transportes e saneamento básico, dois segmentos extremamente carente de investimentos. Uma das explicações é a lentidão do governo federal para realizar leilões de concessão de rodovias e portos. A última licitação de estradas ocorreu em 2009, com a BR-324 e BR-116, na Bahia. De lá pra cá, os únicos leilões realizados foram dos governos estaduais, mas acabaram sendo arrematados por companhias nacionais.