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Inflação na Argentina atinge o maior nível desde início da era Kirchner

Consultorias estimam que índice de preços ao consumidor deverá encerrar 2014 com alta de pelo menos 35%, pressionado pela desvalorização cambial

Estimativas de consultorias privadas apontam que a inflação em 2014 na Argentina alcançou o maior nível desde que Néstor Kirchner, marido da atual presidente Cristina Kirchner, assumiu a presidência, em 2003. Os cálculos apontam que a inflação no país vizinho no ano passado ficou entre 35% e 39%. As informações foram publicadas nesta sexta-feira pelo jornal Valor Econômico.

Segundo as consultorias, o índice de preços ao consumidor sofreu uma maior pressão no primeiro trimestre por causa da desvalorização cambial. Mesmo assim, consideram que a recessão econômica amenizou a trajetória de alta nos últimos meses do ano. “A queda da demanda como efeito da recessão é uma das causas da desaceleração da pressão. Mas a oferta de pesos também influiu”, diz o economista da Fundação Libertad & Progreso Aldo Abram. A Fundação Libertad & Progreso prevê inflação de 38,8% em 2014 e de 25% em 2015.

Enquanto isso, o analista da consultoria Abeceb Dante Sica avalia que a desvalorização gradativa do peso argentino não ajudará a conter o forte aumento dos preços. “Apesar de errada, o governo deve manter essa estratégia”. Estimativas da Abeceb apontam inflação de 35% em 2014. Duas outras entidades, a Ecolatina e o Estúdio Orlando Ferreres, esperam inflação de 37,7% e de 39,2%, respectivamente, no ano passado.

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Dados oficiais – O índice oficial de preços ao consumidor acumulou alta de 22,93% entre janeiro e novembro – em 2003, com Nestór, o resutlado havia atingido 3,66%. Contudo o Índice Congresso, divulgado pelos deputados da oposição com base nas estimativas das consultorias privadas, ficou em 35,95% na mesma base de comparação.

A população passou a confiar mais nos dados das consultorias privadas depois que o governo decidiu intervir no instituto oficial de estatísticas (Indec) em 2007. O ministro da economia, Axel Kicillof, disse que reforçará o programa “Precios Cuidados”, responsável pelo controle de uma cesta de produtos básicos, com a intenção de conter o avanço da inflação. A extensão do programa deve ser anunciada nos próximos dias.