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Inflação fecha 2022 em 5,79% e estoura teto da meta pelo 2º ano seguido

IPCA, o índice oficial de preços, desacelerou em relação a 2021, mas alta de alimentos continuou a pressionar os preços durante o ano

Por Larissa Quintino Atualizado em 10 jan 2023, 14h13 - Publicado em 10 jan 2023, 09h04

A inflação e seus efeitos, como a perda do poder de compra e o encarecimento do crédito, foram sentidos no dia a dia dos brasileiros em 2022. Com a alta das taxas de juros para tentar conter os efeitos inflacionários e a desoneração dos combustíveis, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o ano em 5,79%. segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta terça-feira, 10. O índice mostra boa desaceleração em relação a 2021, quando fechou o ano em 10,06%, mas novamente representa um estouro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional.

A meta estipulada para o ano era de 3,5%, com margem de tolerância até 5%. Com o estouro, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, deve divulgar nesta semana uma carta endereçada ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para explicar por que a inflação fechou acima da meta. A justificativa é uma regra que obriga o BC a dar explicações no caso de falha ao cumprir a meta. A primeira foi escrita por Armínio Fraga, em 2001. A carta também foi entregue nos anos de 2002, 2003, 2015 e 2018 e em 2021.

A pressão inflacionária de 2022 foi marcada por dois momentos distintos. No primeiro semestre, chegando a acumular 12% em consequência da disparada do preço do petróleo no cenário internacional e, consequentemente, dos combustíveis no Brasil. Os combustíveis fazem parte do grupo dos transportes, que tem o maior peso no Orçamento das famílias e a alta desse item tem efeito cascata na inflação. Em julho, com a aprovação do teto do ICMS estadual sobre os combustíveis e a desoneração dos impostos federais dentro do pacote de medidas de Jair Bolsonaro (PL) de olho nas eleições presidenciais de outubro, o preço do combustível cedeu e ajudou o índice a desacelerar, mas não o suficiente para fechar o ano dentro da meta. No resultado do ano, os transportes registraram deflação de 1,28%.

No entanto, a alta de preços em outros grupos influenciou para o novo estouro da meta. O grupo alimentação e bebidas (11,64%), que teve o maior impacto (2,41 pontos percentuais) no acumulado do ano. Em seguida, saúde e cuidados pessoais, com 11,43% de variação e 1,42 p.p. de impacto. A maior variação veio do grupo vestuário (18,02%), que teve altas acima de 1% em 10 dos 12 meses do ano.

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No caso dos alimentos, os destaques foram a cebola (130,14%), que teve a maior alta entre os 377 subitens que compõem o IPCA, e o leite longa vida (26,18%), que contribuiu com o maior impacto (0,17 p.p.) entre os alimentos para consumo no domicílio. Vale mencionar também a batata-inglesa (51,92%), as frutas (24,00%) e o pão francês (18,03%). A variação dos preços dos alimentos está relacionada aos aumentos dos custos de produção, problemas climáticos e variação do preços das commodities de alimentos. Vale lembrar que a inflação dos alimentos tem um peso maior nas famílias de menor renda. Enquanto o IPCA, que mede a variação dos preços de famílias que recebem de 1 a 40 salários mínimos fechou em 5,79%, o INPC fechou em 5,93%. Esse indicador mede os preços para famílias de 1 a 5 salários mínimos. 

Mais caro

No caso do vestuário, que teve a maior variação percentual do ano no IPCA, a normalização das atividades superados os momentos mais agudos da crise sanitária da Covid-19 aumentaram a demanda por esses itens, e consequentemente, os preços. “Os custos de produção subiram e houve uma retomada da demanda após a flexibilização das medidas de isolamento social decorrentes da pandemia de Covid-19”, explica André Almeida, analista de preços do IBGE.

Apesar da desaceleração apresentada, a inflação continua a pressionar o orçamento das famílias e será um desafio para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como consequência da alta dos preços está uma política monetária contracionista, que vem mostrando efeitos, mas tem como efeito colateral a desaceleração do crescimento. A taxa básica de juros encarece o crédito, tanto para a pessoa física quanto para pessoa jurídica, e diminui a demanda. Caso não haja austeridade fiscal do país, há uma pressão maior no câmbio e nos juros e, consequentemente, na inflação. Logo, é o equilíbrio que deve pautar as ações do novo governo para que o efeito não caia diretamente no bolso de quem sempre paga a conta: os brasileiros.

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