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Inflação ao consumidor nos EUA cede 0,2% e vai para 2,8% em fevereiro

O CPI surpreendeu ao desacelerar de 0,5% para 0,2% em fevereiro, recuando de uma alta anual de 3% para 2,8%, em meio à guerra comercial de Trump

Por Luana Zanobia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 mar 2025, 10h43 • Atualizado em 12 mar 2025, 12h09
  • O índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos registrou alta de para 0,2% em fevereiro, uma desaceleração em relação a alta de 0,5% em janeiro, de acordo com dados divulgados pelo Escritório de Estatísticas do Trabalho nesta quarta-feira, 12. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses caiu para 2,8%, abaixo dos 3% acumulados em janeiro.

    Apesar da leve desaceleração observada em fevereiro, a inflação dos núcleos permanece elevada e distante da meta de 2% do banco central americano, o Federal Reserve (Fed). O núcleo, que exclui os preços voláteis de alimentos e energia, avançou 0,2% no mês, acumulando uma alta de 3,1% nos últimos 12 meses. Embora esse dado seja inferior aos 3,3% registrados em janeiro, ele ainda está significativamente acima da meta estabelecida pelo Fed. O núcleo da inflação é considerado um indicador mais fiel da tendência inflacionária de longo prazo, justamente por eliminar as oscilações sazonais de setores como alimentos e energia.

    O dado de fevereiro está sendo observado com especial atenção por ser o primeiro mês completo sob a gestão de Donald Trump, que assumiu a presidência dos EUA em 20 de janeiro. Embora as tarifas impostas sobre produtos chineses e canadenses sejam amplamente vistas como um elemento de pressão inflacionária, seus efeitos ainda não foram plenamente incorporados nos números de fevereiro. A expectativa é que essas tensões comerciais comecem a impactar mais diretamente os custos de produção nos próximos meses, levando a um aumento nos preços ao consumidor. A implementação de tarifas mais altas sobre aço e alumínio, que entrou em vigor nesta quarta-feira, 12, pode intensificar essa pressão inflacionária à medida que essas mudanças forem absorvidas pelas cadeias de suprimentos e repassadas aos preços finais.

    O Fed enfrenta o desafio de calibrar sua política monetária em meio a esse cenário de incertezas e maior protecionismo. “O resultado de fevereiro favorece as possibilidades de um ciclo de afrouxamento maior do que o esperado até poucas semanas atrás”, diz Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad. 

    O cenário inflacionário nos Estados Unidos atingiu seu ápice em junho de 2022, quando a inflação anual chegou a 9,1%, impulsionada por uma combinação de gargalos nas cadeias de suprimentos e uma forte demanda pós-pandemia. Diante dessa escalada, o Fed reagiu com uma série de aumentos agressivos na taxa de juros, culminando em uma alta que durou dois anos. A trajetória de aperto foi revertida em setembro do ano passado, quando o banco central americano iniciou cortes na taxa, levando os juros à faixa de 4,75% a 5% ao ano – a primeira redução em quatro anos. No final de janeiro, o Fed optou por uma pausa nesse ciclo de cortes,  com os juros em 4,25% e 4,5%, aguardando mais clareza sobre a trajetória econômica e inflacionária.

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    Embora o CPI seja um indicador amplamente utilizado, o Fed concentra suas metas no índice de preços de consumo pessoal (PCE), que registrou uma alta anual de 2,5% em janeiro. A próxima leitura do PCE será divulgada em 28 de março, e os mercados aguardam para ver como esses dados se alinharão com as metas do Fed.

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