Ibovespa cai quase 2% com risco fiscal e Copom no radar
Dólar avança a R$ 5,51, enquanto investidores acompanham revisões das expectativas econômicas e as eleições legislativas nos Estados Unidos
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, cai nesta terça-feira, 3, com as indefinições sobre a equipe econômica e o financiamento dos gastos públicos no radar dos investidores. A expectativa pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central também influencia as negociações. Às 11h46, o índice recuava 1,99%, aos 164.579 pontos. Às 11h59, o dólar subia 1,26%, cotado a 5,5057 reais.
“A valorização do dólar diante do real supera o avanço da moeda no exterior, sugerindo uma pressão doméstica adicional”, afirma Fábio Murad, consultor da Wiser Asset. “Na volta do feriado, investidores também incorporam notícias acumuladas e acompanham as eleições legislativas americanas, que acrescentam incerteza ao ambiente internacional.”
O Boletim Focus divulgado nesta terça-feira mostrou uma piora das expectativas das instituições financeiras para 2027. A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 1,31% para 1,20%, enquanto a estimativa para a inflação passou de 4,34% para 4,76%. A previsão para a Selic no fim do próximo ano subiu de 11,75% para 12,50%.
“Isso significa menor expansão esperada das vendas, maior pressão sobre custos e financiamento mais caro. Na Bolsa, essa combinação limita as perspectivas de lucro e reduz o preço que o investidor aceita pagar pelas ações”, afirma Murad.
No câmbio, a projeção para o dólar no encerramento de 2026 aumentou de 5,05 reais para 5,34 reais, ainda abaixo da cotação desta sessão. “O dólar mais caro encarece importações e insumos, ampliando o desafio do Banco Central”, afirma o consultor.
Decisão dos juros e comunicação do Copom no radar
Além da taxa anunciada pelo Copom, a comunicação sobre os próximos meses será acompanhada pelos investidores. Juros elevados encarecem o financiamento das empresas e das famílias, com efeitos sobre o consumo, os investimentos e os resultados das companhias.
“Uma postura que preserve a confiança no controle da inflação tende a dar suporte ao real; uma redução considerada prematura arrisca elevar o dólar e os juros longos, anulando parte do benefício do corte”, afirma Murad.
A alta dos juros de longo prazo, cobrados em operações com vencimentos mais distantes, pode manter o crédito caro mesmo diante de uma redução da Selic. “Por isso, a revisão da Selic esperada sinaliza menos espaço para flexibilização, embora não defina, isoladamente, a decisão desta reunião”, afirma o consultor.
No mercado internacional, o petróleo também recuava. Às 11h59, o contrato futuro do Brent para janeiro de 2027, referência internacional para os preços da matéria-prima, caía 1,17%, negociado a 103,54 dólares por barril.






