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Ibovespa cai 3,74% e tem maior tombo desde a greve dos caminhoneiros

Queda nas ações dos bancos e da Vale puxam o índice para baixo

Por André Romani - 6 fev 2019, 18h59

A Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em 94.635,57 pontos, queda de 3,74%, a maior desde a greve dos caminhoneiros. O movimento foi influenciado pelo pedido de paralisação da principal barragem da Vale em Minas Gerais, após o desastre em Brumadinho, e por queda nas ações dos bancos. Já o dólar fechou em alta de 1,094%, voltando ao patamar dos 3,70 reais.

Para se ter uma ideia do tamanho do tombo da Ibovespa no dia de hoje, o valor é maior do que na segunda-feira seguinte ao rompimento da barragem em Brumadinho. Na época o índice caiu 2,29%. Não ocorria um tombo dessa magnitude desde a greve dos caminhoneiros, quando foi de 4,49%, no dia 28 de maio de 2018.

 

Segundo André Perfeito, da corretora Necton, uma queda já era esperada. “Com a alta no começo do ano, os investidores começam um processo de venda das ações agora”, conta ele. As  Esse processo se concentrou nos bancos, que possuem grande peso no índice, puxando a Ibovespa para baixo. Além disso, alguns deles vêm divulgando seus resultados recentemente. “Os investidores estão reavaliando a partir disso”, explica Perfeito.

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Somado a isso, um relatório da agência de Risco Fitch afirmou que os efeitos para instituições financeiras do desastre em Brumadinho devem ser imediatos. “Alguns bancos estão indiretamente expostos à Vale, uma vez que os fundos de pensão patrocinados por essas instituições detêm cerca de 21% das ações da empresa”, explica o documento.

As ações do Banco do Brasil (6,09%), Bradesco (4,75%) e Itaú (4,21%) operaram em baixa.

A queda nas ações da Vale também ajudou a derrubar o índice nesta quarta-feira. A Justiça determinou que mineradora “pare de lançar rejeitos e praticar qualquer atividade potencialmente capaz de aumentar os riscos de oito barragens”. Todas as construções estão em Minas Gerais. Entre essas barragens está Laranjeira, que faz parte da Mina do Brucutu, a maior da empresa no estado.

Segundo a Vale, o impacto dessa paralisação temporária em Laranjeiras seria de aproximadamente 30 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. A decisão assustou investidores, puxando para a baixo as ações da mineradora e, por consequência, o próprio Ibovespa, no qual a empresa tem grande peso.

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Os papeis ordinários da mineradora fecharam em baixa de 4,88%.

Segundo Pablo Spyer, da corretora Mirae, a notícia ainda repercute negativamente entre os investidores, devido ao grande impacto financeiro. “Essa perda de autorização da Vale é muito grande”, conta ele.

Com menor influência, Spyer acrescenta que o mercado começou a ficar preocupado com a reforma da Previdência. “Teve uma onda muito otimista no começo, mas a agora realidade está chegando. Aparentemente a reforma não sai no primeiro trimestre e a oposição vai bater firme no projeto”, explica ele.

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