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Ibovespa cai 1,75% e fecha na menor pontuação do governo Bolsonaro

Risco de novo rompimento em barragem da Vale e cenário político interno derrubam a bolsa de valores brasileira

Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou nesta quinta-feira, 16, em seu menor valor desde 28 de dezembro de 2018, com queda de 1,75%, aos 90.024 pontos, puxado por novo risco de rompimento de barragem da Vale e pelo cenário político brasileiro cada vez mais incerto. O dólar fechou em alta de 1%, aos 4,04 reais na venda, no maior valor desde 25 de setembro de 2018, quando estava em 4,08 reais.

O Ministério Público de Minas Gerais expediu nesta quinta-feira uma recomendação para que a Vale informe à população de Barão de Cocais (MG) sobre os riscos de uma eventual ruptura da Barragem Sul Superior, da Mina de Gongo Soco. A empresa tem seis horas para acatar a decisão e informar ao órgão como fará a comunicação à população.

Segundo o Ministério Público, a recomendação tem origem em um documento produzido pela própria Vale, estimando que, uma ruptura poderá ocorrer no período de 19 a 25 de maio. O motivo seria uma deformação no talude (terreno que dá sustentação) norte da barragem, que estaria levando a uma movimentação capaz de gerar a ruptura, explica o órgão.

A barragem é do mesmo tipo que a de Córrego do Feijão, em Brumadinho, que ruiu em 25 de janeiro deste ano, matando 240 pessoas. Outras 30 estão desaparecidas. A notícia deixou os investidores apreensivos, já que um rompimento geraria não só desastre social como econômico na empresa. As ações ordinárias da companhia foram as mais negociadas do Ibovespa e tiveram uma queda de 3,23%. 

“A Vale derruba o índice mesmo”, afirma Pablo Spyer, diretor da corretora Mirae Asset, reiterando o peso grande que a mineradora tem no índice. Para o analista da Rico Investimentos, Thiago Salomão, “embora sendo um evento só com a Vale, acaba atingindo o mercado inteiro, do mesmo modo que ocorreu na época de Brumadinho”.

Além das notícias envolvendo a Vale, o mercado continua apreensivo com o cenário político do país. O diretor-executivo da agência de classificação de risco Fitch Ratings no Brasil, Rafael Guedes, disse que a reforma da Previdência é decisiva para o equilíbrio fiscal brasileiro, mas não é suficiente para estabilizar o endividamento ou levar a uma revisão de rating positiva do país.

“Falamos que a reforma previdenciária é a mais importante, é a mãe das reformas, mas de maneira nenhuma é suficiente para levar o Brasil a um patamar de estabilização do seu endividamento ou até mesmo a uma revisão de rating positiva”, disse ele.

Para Salomão, a notícia em si não gera tensão com os investidores, mas se soma a um cenário de pessimismo já existente. “Não estamos em um mês bom. Temos revisões do PIB, desemprego. Isso já tem aumentado a apreensão”, analisa ele.