Ibovespa avança 1,4% e fecha no maior nível da história
Analistas atribuem o otimismo à expectativa de corte de juros nos EUA e aos balanços positivos das empresas, apesar do temor de juros mais altos por aqui

Em um dia de recordes históricos, o Ibovespa, principal índice de ações da bolsa de valores, fechou em alta de 1,4% , a 135.777 pontos. É a pontuação máxima já registrada, desde dezembro de 2024, quando o índice fechou em 134.400 pontos. Nesta segunda-feira, o Ibovespa também bateu o recorde intradiário e pela primeira vez ultrapassou os 136 mil pontos.
O dólar comercial fechou em queda de 1%, vendido a 5,41 reais.
Analistas atribuem ao corte de juros do Fed, o banco central americano, que é dado como certo a maior parte do otimismo dos investidores , mas citam balanços fortes das empresas, com resultados positivos e uma expectativa de alta da Selic por parte do Copom. Em palestra nesta segunda-feira, Gabriel Galípolo, provável sucessor de Roberto Campos Neto, no Banco Central, disse que o BC está “aberto” à decisão sobre juros.
Gabriel Meira especialista e sócio da Valor Investimentos explica que o movimento atual no mercado está baseado em expectativas, tanto dos investidores quanto dos economistas, que têm revisado suas projeções sobre a Selic. A XP, por exemplo, já prevê que a Selic pode chegar a 11,75% até o final do ano, com um aumento a partir de setembro.
“Tem várias casas já revisando o cenário de Selic para o final do ano. Tudo isso deixa o investidor mais tranquilo, porque sabe que o governo não vai conseguir bater as metas de informação e tampouco vai gerar a confiança necessária para o mercado”, diz ele.
No cenário externo, as projeções do mercado, segundo Meira, nos Estados Unidos são de queda gradual dos juros. “As expectativas no exterior, principalmente Estados Unidos, são de um soft landing, de uma queda um pouquinho mais tranquila por parte das taxas de juros norte-americanas das Fed Funds”.
A atenção do mercado está voltada para o discurso de Jerome Powell, presidente do Fed, durante o evento dos BCs americanos que ocorre neste fim de semana no estado de Wyoming. A fala pode esclarecer os próximos passos da política monetária americana.
Alex Andrade, CEO da Swiss Capital Invest, atribui as máximas históricas a uma combinação de fatores, como os efeitos da redução da Taxa Selic que estimulou o consumo e os investimentos, o otimismo no mercado imobiliário em recuperação, e o aumento do interesse de investidores internacionais.
Ele destacou que o crescimento do índice também é impulsionado pelos resultados financeiros robustos das empresas. Para ele, o futuro do Ibovespa vai depender de um ambiente interno favorável. “O crescimento contínuo do Ibovespa dependerá da estabilidade política, da evolução da economia global e da manutenção de um ambiente favorável para os negócios, além de exigir atenção às contas públicas e à inflação para garantir a sustentabilidade desse crescimento”, diz.