Ibovespa afunda 4% após Irã fechar o Estreito de Ormuz e tem maior queda desde o “Flávio Day”
Índice do medo dispara 21,7% com piora da guerra no Oriente Médio
O Ibovespa afunda nesta terça-feira, 3, após o Irã anunciar o fechamento do Estreito de Ormuz, gerando temor global nos mercados. No cenário local, dados do PIB dentro do esperado reforçam a tese de corte de juros pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) na decisão do próximo dia 18 de março.
Por volta das 11h20, o principal índice da Bolsa brasileira caía 3,7%, aos 182.305,81 pontos. Essa é a maior queda percentual para o índice desde o dia 5 de dezembro de 2025, quando o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro anunciou que seria candidato à presidência da República, conhecido como Flávio Day por agentes do mercado. O dólar subia 1,8%, a 5,265 reais. Em Nova York, o índice do medo disparava 21,7%, aos 26,09 pontos.
Na noite desta segunda-feira, 2, a Guarda Revolucionária do Irã informou que o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, foi fechado e que qualquer navio que tentar ultrapassar o bloqueio será incendiado, em meio às tensões decorrentes dos ataques de Estados Unidos e Israel contra o território iraniano no fim de semana.
“O estreito (de Ormuz) está fechado. Se alguém tentar passar, os heróis da Guarda Revolucionária e da Marinha regular incendiarão esses navios”, disse Ebrahim Jabari, conselheiro sênior da Guarda, em comunicado divulgado pela imprensa estatal.
Antes mesmo do anúncio oficial, o transporte marítimo já havia sido praticamente interrompido após seguradoras ameaçarem cancelar coberturas e elevar prêmios diante da escalada das tensões na região, que já deixaram ao menos quatro petroleiros danificados, dois mortos e cerca de 150 navios parados no estreito. Empresas como Gard, Skuld, NorthStandard, London P&I Club e American Club informaram que os cancelamentos entrariam em vigor a partir de 5 de março, segundo avisos datados de 1º de março publicados em seus sites.
Cerca de 20% do petróleo consumido no mundo passa pelo estreito, artéria estratégica que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia, separando o Irã da Península Arábica. A via tem 33 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito, com faixas de navegação de apenas 3 quilômetros em cada direção.
Diante desse cenário, os contratos futuros do petróleo Brent, com vencimento em maio, saltavam 7,41%, a 83,50 dólares por barril. O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) alerta que o aprofundamento do conflito no Oriente Médio pode trazer impactos relevantes ao mercado de óleo e gás, especialmente com o fechamento do Estreito de Ormuz.
“Eventuais bloqueios ou ataques à infraestrutura da região podem causar severas disrupções, afetando prioritariamente o abastecimento de grandes economias asiáticas, como China, Índia e Japão”, afirmou o IBP.
Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, a medida iraniana reacendeu o risco inflacionário global. “Esse choque pressiona as curvas de juros internacionais, fortalece os Treasuries e reduz o apetite por renda variável, especialmente em mercados emergentes, como o Brasil”, explica. Segundo ele, setores domésticos mais sensíveis a crédito e consumo tendem a ser os mais penalizados nesse contexto.
PIB dentro do esperado mantém expectativas de corte de juros
No cenário local, os dados do Produto Interno Bruto (PIB) vieram dentro do esperado pelo mercado, após alta de 0,1% no quarto trimestre de 2025. De acordo com Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, o cenário pelo lado da demanda permanece adequado para o início do ciclo de redução da Selic na próxima reunião do Copom.
“No entanto, a alta do petróleo pode trazer algum incômodo, elevando os riscos no cenário externo, mas não elimina o espaço para o início dos cortes no ritmo de 0,5 ponto percentual”, conclui Rafaela Vitória. O Copom se reúne entre os dias 17 e 18 de março.





