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“Há razões de sobra” para se preocupar com a economia mundial, diz Dilma

Presidente da República defendeu a integração entre os países do Mercosul como forma de melhorar a competitividade regional

Por Tai Nalon 7 dez 2012, 14h20

A presidente da República, Dilma Rousseff, reafirmou nesta sexta-feira que “há razões de sobra” para que o Mercosul esteja “preocupado” com a economia mundial, a qual atravessa um “quadro de menor crescimento e recessão”. Em discurso em Brasília, ela apontou que o atual desafio dos países que integram o bloco é ter a capacidade de desenvolver conhecimento científico, tecnologia e inovação. Tal objetivo, segundo Dilma, representa uma “antiga aspiração” da região, que exige “aperfeiçoamento dos processos produtivos e capacitação massiva em áreas técnicas” de setores estratégicos.

Em fala de aproximadamente 15 minutos na abertura do encontro de líderes do Mercosul, que ocorre nesta sexta e sábado em Brasília, a presidente enfatizou a necessidade de os países se precaverem das instabilidades financeiras sem abrir mão da inclusão social. “Num mundo em que crescem o desemprego e a desigualdade, a América Latina pode e faz muita diferença”, disse.

Integração – Dilma defendeu a integração como forma de melhorar a competitividade. “Os próximos anos são repletos de desafios. A permanência desse cenário global torna ainda mais evidente a importância da nossa integração”, afirmou. Nos últimos meses, o livre comércio no bloco enfrenta dificuldades para avançar ante o protecionismo de alguns membros. O Brasil, particularmente, encontra-se incomodado com as medidas tomadas pela Argentina – que, na prática, dificultam a entrada de produtos brasileiros no país vizinho.

“Como bloco, somos a quinta economia do mundo. Dispomos de grande potencial energético e de produção de alimentos, além de contar com um parque industrial pujante e diverso, e um mercado de grandes dimensões. Esses fatores são importantes na história, mas, em especial nesta conjuntura, quando a economia mundial enfrenta graves dificuldades pela crise prolongada na zona do euro”, destacou a presidente.

Segundo ela, o Mercosul tem de ser competitivo em outras áreas, além daquelas em que historicamente vem se destacando. “O desafio agora é materializar uma antiga aspiração de, além de sermos grandes provedores de alimentos, matérias-primas, minérios e energia, sermos provedores de manufaturas”, disse a presidente, reiterando que tudo exige inovação e tecnologia.

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A presidente afirmou que o comércio regional revela-se importante como polo dinamizador da economia. Segundo ela, entre 2007 e 2011, as transações do bloco subiram de 39 bilhões de dólares para 62 bilhões de dólares. “O que é muito importante e significativo diante do baixo crescimento e do movimento recessivo vivido pela economia global”, explicou.

Bolívia – A presidente destacou que a entrada da Bolívia no Mercosul pode tornar o bloco “muito mais forte”. Sua adesão depende ainda da aprovação dos países membros: Brasil, Argentina, Uruguai e Venezuela. A Bolívia e, a partir deste encontro, o Equador são nações associadas ao bloco, isto é, não têm poder de voto. “Muito nos honra que o Suriname tenha manifestado interesse em se tornar estado associado. Prosseguem discussões com o Equador com vistas a ingresso como membro pleno – e saudamos com grande entusiasmo a decisão da Bolívia de dar início a um diálogo com o Mercosul”, declarou.

Na abertura da cúpula, Dilma destacou dois temas que serão debatidos no evento nos próximos dois dias: a regulamentação do Fundo Mercosul de Garantias para empresas de pequeno porte e a criação de bolsas de incentivo à pesquisa específica para integrantes do bloco. Ela se encontra reunida no momento com chefes de estado em reunião fechada à imprensa.

Estão presentes no encontro a presidente da Argentina, Cristina Kirchner; o presidente do Uruguai, José Mujica; o presidente do Equador, Rafael Correa; o presidente da Bolívia, Evo Morales; entre outras autoridades. O Paraguai permanece suspenso do grupo de países titulares desde o impeachment do presidente Fernando Lugo, em junho passado. O Brasil, na figura da presidente Dilma Rousseff, exerce a presidência pro tempore do bloco.

Paraguai – Dilma destacou em seu discurso que o Mercosul manteve o compromisso com o Paraguai, evitando assim medidas que dificultem os fluxos comerciais.

(com Estadão Conteúdo)

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