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Guido Mantega se reúne com empresários em São Paulo

Por Francisco Carlos de Assis

São Paulo – Preocupado com a perda de dinamismo da atividade econômica, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reuniu-se hoje, em São Paulo, com empresários e representantes de entidades ligadas à indústria e ao varejo. O ministro, de acordo com participantes do encontro, não fez nenhuma promessa mas, segundo o presidente do Instituto de Desenvolvimento para o Varejo (IDV), Fernando de Castro, disse ter saído da reunião com a impressão de que o governo está inclinado a adotar algumas medidas de incentivo à atividade econômica de curto e médio prazo, sendo que algumas já poderiam ser implantadas ainda nesta reta final de 2011.

Mantega, de acordo com Castro, fez uma avaliação da situação econômica, dividindo-a em três fases. Na primeira, que teria sido de janeiro a abril deste ano, o governo teria conseguido reduzir com sucesso a demanda e evitar seu impacto sobre a inflação. Na segunda etapa, o governo teria conseguido enfrentar os efeitos da crise internacional que mais recentemente se aprofundou. Na terceira fase, que é a atual, o objetivo do governo é acelerar o ritmo de crescimento.

O presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Lourival Kiçula, reforçou que não se discutiu, durante a reunião, nenhuma medida específica. “Nós não viemos pedir nada. Viemos aqui só para relatar ao ministro a nossa percepção sobre a economia”, disse, referindo-se a um grupo de doze representantes setoriais, que se reuniram no escritório do Ministério da Fazenda no Banco do Brasil, na avenida Paulista. Entre eles estavam Luiza Trajano (Magazine Luiza), Enéas Pestana (Grupo Pão de Açúcar), Armando Vale Whirlpool (Whirlpool), Tiara Ju Pires (Associação Brasileira de Supermercados), Humberto Barbato (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) e Walter Couver (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Construção).

Indagado sobre o fato de que alguns segmentos da indústria reclamam de altos estoques, Kiçula disse que isso não está acontecendo no seu setor. “Se tiver uma ou outra indústria com estoque elevado, isso é por conta do planejamento de cada uma delas”, explicou, acrescentando que neste ano os associados da Eletros devem vender cerca de 2 milhões de televisores. Esse número é praticamente o mesmo de 2010, quando houve Copa do Mundo.

Kiçula explicou que o real valorizado trouxe vantagens e desvantagens para o setor de eletroeletrônicos. Se por um lado encarece a produção, para as empresas sediadas na Zona Franca de Manaus a aquisição de componentes ficou mais barata.

Castro, do IDV, comentou que o varejo continua crescendo, apesar da desaceleração econômica como um todo e deve fechar este ano com uma expansão de 6% a 6,5%. No ano passado, em comparação com o anterior, as vendas do varejo cresceram 10,5%.