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Grécia vota novo orçamento de rigor para 2012

O Parlamento grego vota nesta terça-feira à noite um novo orçamento de austeridade para 2012, com o qual o país manterá a política de saneamento de suas finanças públicas acordada com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) em troca de assistência financeira.

O governo de coalizão do primeiro-ministro Lucas Papademos conta com uma maioria de uma maioria parlamentar de mais de 250 dos 300 deputados da Câmara e por isso se espera que o orçamento seja aprovado sem problemas até a meia-noite.

O orçamento prevê cortes salariais, aumentos de impostos e a parada técnica de dezenas de milhares de funcionários.

Ante a incapacidade do país em cumprir com seu objetivo de déficit em 2011, que deve chegar a 9% e não 6,8%, não se descartam novas medidas de austeridade. Para 2012, a meta de déficit é de 5,4% do PIB.

Além disso, a previsão de contração da economia em 2012 foi revisada para cima, a -2,8%, ante a queda de 5,5% prevista para este ano.

O ministro das Finanças, Evangelos Venizelos, disse, no entanto, que o governo prevê para 2012 um excedente primário de 1,1%, “pela primeira vez em muitos anos”.

O ministro do Desenvolvimento, Michalis Chrisohoidis, destacou na segunda-feira no Parlamento que o plano europeu de redução do déficit “permitiu ao país escapar da quebra, mas não contribuiu para recuperar o crescimento”, em um país em recessão e no qual o desemprego superou 18% em agosto.

Incidentes desta terça-feira no centro de Atenas demonstraram a continuidade da tensão no país. Os manifestantes, a maioria estudantes, protestaram contra a austeridade e a polícia, no terceiro aniversário da morte de um adolescente por disparos de um agente.

O novo governo, apoiado por socialistas, direita e ultradireita, se comprometeu a aplicar o segundo plano de resgate da Grécia, decidido pela zona do euro em uma reunião em Bruxelas ao final de outubro.

O segundo plano de resgate prevê créditos de 130 bilhões de euros até 2014, dos quais 30 bilhões serão destinados para recapitalizar os bancos gregos, e a eliminação de 50% da dívida grega em mãos dos credores privados (bancos, fundos de pensão, seguradoras, etc).

Papademos destacou recentemente a “complexidade e a dificuldade” das negociações sobre a reestruturação da dívida, que se traduzirá em uma redução da dívida grega a 120% do PIB até 2020.

Atualmente, a dívida pública grega supera os 160% do PIB.