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Governo Trump culpa Biden por corte da nota de crédito promovido pela Moody’s

Assessores da Casa Branca afirmam que decisão é "defasada" e reflete o aumento de gastos promovido pelo antecessor de Trump

Por Márcio Juliboni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 Maio 2025, 09h19 • Atualizado em 19 Maio 2025, 09h23
  • Assessores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticaram duramente a decisão da agência de classifica de risco Moody’s de rebaixar a nota de crédito americana. O corte foi anunciado na noite de sexta-feira 16, após o fechamento dos mercados. “Não dou muita credibilidade ao rebaixamento da Moody’s”, afirmou Scott Bessent, secretário do Tesouro, em entrevista a uma emissora de TV.

    Bessent acrescentou que a decisão é “defasada” e culpou o governo anterior, comandado pelo democrata Joe Biden, pela situação. “Não chegamos a esta situação em cem dias”, acrescentou, referindo-se ao fato de Trump estar de volta à Casa Branca desde 20 de janeiro. Para o secretário, a piora da dívida americana foi causada pelo “governo Biden e os gastos dos últimos quatro anos.”

    Steve Cheung, diretor de comunicação da Casa Branca, classificou a decisão da Moody’s de política e atacou Mark Zandi, o suposto responsável pelo rebaixamento do rating americano. “Mark Zandi é um assessor de Obama e doador de Clinton“, afirmou Cheung em uma postagem nas redes sociais. O problema, segundo a imprensa americana, é que Zandi não é o autor do corte, já que trabalha na Moody’s Analytics, a casa de análises do grupo, e não na Moody’s Ratiings – a agência de risco.

    A Moody’s rebaixou a nota de crédito dos Estados Unidos de “Aaa” – o grau máximo de qualidade, concedido apenas a países considerados imunes a calotes – para “Aa1”, um degrau abaixo. Trata-se da primeira revisão promovida pela Moody’s em 106 anos, já que a agência concedeu a nota “Aaa” aos americanos em 1919 e a manteve por todo esse tempo. Ao comunicar a decisão, a agência citou a preocupação com a trajetória de crescimento da dívida pública dos Estados Unidos, que já alcança 36 trilhões de dólares, ante um produto interno bruto (PIB) de 29 trilhões no ano passado.

    Segundo a Moody’s, sem ajustes no orçamento, os gastos obrigatórios subirão de 74% para 78% das despesas no intervalo de 2024 até 2025. Com isso, o déficit federal deve alcançar 9% do PIB dentro de dez anos. Em 2024, o rombo correspondeu a 6,4%.

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    Como o rebaixamento foi anunciado na noite da sexta-feira 16, quando os mercados americanos já estavam fechados, a reação é vista na manhã desta segunda-feira 9. Os índices futuros em Wall Street recuam com força. Por volta das 9h (horário de Brasília), o Dow Jones Futuro perdia 0,58%; o S&P Futuro recuava 1,05%; e o Nasdaq futuro derretia 1,47%.

    Apesar das fortes críticas da Casa Branca, a Moody’s foi a última das três grandes agências de risco a retirar o grau máximo dos títulos americanos. A fila foi puxada pela Standard&Poor’s há muito mais tempo, em 2011, ainda durante o governo de Barack Obama. Em 2023, na gestão Biden, foi a vez da Fitch cortar sua nota. Nesse mesmo ano, a Moody’s rebaixou a perspectiva do rating de “estável” para “negativa” – o passo anterior a qualquer decisão de revisá-lo.

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