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Governo eleva para R$ 1,5 mi teto de financiamento de imóveis com FGTS

Limite anterior era de R$ 950 mil e valia apenas para SP, Rio, Minas e Brasília - novo teto poderá ser praticado em contratos de todo o país

O Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu hoje elevar o teto do valor de imóveis que podem ser financiados com recursos do FGTS para 1,5 milhão de reais. Até então, os recursos do fundo podiam financiar imóveis de no máximo 950 mil reais.

Outra mudança é permitir que o novo teto de financiamento seja praticado em todo o país. Pelas regras anteriores, o valor máximo só podia ser praticado para financiamentos feitos em São Paulo, Minas Gerais, Rio e Distrito Federal – localidades em que o preço do metro quadrado costuma ser maior. Agora, imóveis de todo o país poderão ser comprados com o novo teto de financiamento do FGTS.

O objetivo da medida é estimular o setor da construção civil, um dos mais prejudicados pelo desaquecimento da economia.

Foi a terceira vez em menos de dois anos que o limite máximo do valor de imóvel financiado com FGTS foi ampliado. Em novembro de 2016, o CMN havia elevado esse teto de 750 mil para 950 mil em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal, e de 650 mil para 800 mil nos demais Estados. Depois, em fevereiro do ano seguinte, o governo decidiu elevar o limite para 1,5 milhão de reais temporariamente em todas as regiões até o fim de dezembro.

O presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz Antonio França, diz que a crise da construção civil foi potencializada pela devolução de imóveis combinada com a queda nas vendas. “Imagina uma fábrica de veículos que passa a vender menos. Se além de vender menos, quem comprou quisesse devolver. Como ficaria? Foi isso que aconteceu com a construção civil.”

Segundo ele, a decisão do CMN trouxe outros incentivos para o setor, como estímulos para o financiamento de imóveis de até 500 mil reais. “A faixa de imóveis entre 300 e 500 mil reais estava meio desatendida, pois não era beneficiada nem pelo Minha Casa, Minha Vida nem por outros programas.”

Em nota a clientes, a equipe do BTG Pactual classificou a nova elevação como como positiva, afirmando que a decisão “reforça o grande comprometimento do governo para a recuperação do setor”.

Ainda segundo o banco, a medida beneficiará sobretudo as construtoras de imóveis de alto padrão, incluindo Cyrela e Even, que possuem alavancagem mais baixa que a média do setor e estoques altos.

“Dito isso, vale lembrar que esse teto de 1,5 milhão de reais por unidade estava em vigor no ano passado e (mesmo assim), o setor teve uma performance muito mal”, comentou a equipe do BTG na nota.

(Com Reuters)