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Governo de SP leiloa último trecho de Rodoanel

Este é último do quatro trechos do anel viário iniciado em 2002

Por Reuters 9 jan 2018, 16h05

O governo do Estado de São Paulo leva a leilão na B3 nesta quarta-feira, 10, a concessão do trecho Norte do Rodoanel, que deve atrair a participação de investidores estrangeiros e abre o calendário de 2018 de concessões de infraestrutura no país.

Este é último do quatro trechos do anel viário iniciado em 2002. Com a entrada em operação do trecho, o Rodoanel completará o trajeto ao redor da região metropolitana da capital.

  • O projeto prevê a concessão de cerca de 45 quilômetros do trecho por 30 anos. Os investimentos previstos a cargo da concessionária vencedora são calculados pelo governo paulista em 600 milhões de reais, além de um pouco mais de 1 bilhão de reais para a operação ao longo do contrato.

    Segundo o advogado Miguel Neto, sócio do sócio do escritório Miguel Neto Advogados, a procura de ativos que ofereçam rentabilidades superiores às dos títulos de dívida deve atrair investidores estrangeiros para o certame. Além disso, grandes empreiteiras nacionais que seriam interessadas naturais, estão enfraquecidas pelos efeitos da operação Lava Jato.

    “É bastante possível ter concessionários de Espanha e Alemanha e China concorrendo por esse trecho”, disse o executivo, citando também a possibilidade de formação de consórcios entre operadores desses países e fundos de private equity.

    Os últimos grandes leilões de rodovias do Estado de São Paulo foram vencidos pela Arteris, que ficou em abril passado com a Rodovias dos Calçados ao ofertar ágio de 438% sobre o valor mínimo, e pelo Pátria Investimentos, que ofereceu ágio de 131% para ficar em março do ano passado com a Rodovias Centro Oeste Paulista.

    Quando lançou o edital do trecho Norte do Rodoanel, em outubro, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou esperar que o lance mínimo para a concessão fosse de 462 milhões de reais.

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    Lançado em 1998 pelo então governador paulista Mário Covas, que hoje dá nome ao projeto, os 177 quilômetros do Rodoanel tinham previsão de serem totalmente entregues em oito anos. A primeira fase foi entregue em 2002, e a conclusão do anel viário acontecerá neste ano a um custo estimado em 26 bilhões de reais, quase o triplo da previsão inicial de 9,9 bilhões.

    O atraso na conclusão do trecho Norte deveu-se entre outros fatores à demora na obtenção de licenças ambientais e para desapropriações.

    Nenhuma das tradicionais concessionárias de rodovias paulistas consultadas pela Reuters confirmou de imediato que fará proposta pela concessão. Mas o advogado Mauro Penteado, sócio de area de infraestrutura do escritório Machado Meyer, acredita que o certame vai ter competição pelo próprio contexto dos atuais grupos que já atuam no setor no país.

    “Tem várias empresas e grupos de concessão que precisam crescer. As empresas de concessão no Brasil estão maduras e com musculatura para investir, além de contarem com investidores estrangeiros por trás”, afirmou Penteado citando as áreas de rodovias e portos como as mais adiantadas para leilões, enquanto ferrovias ainda seguem rodeadas de discordâncias entre governo federal e investidores.

    “Estamos muito animados com o calendário de concessões deste ano. Mas é ano de eleição e há uma janela crítica do primeiro semestre, porque depois as coisas ficam mais difíceis por causa das eleições”, disse Penteado. Segundo ele, o cenário eleitoral, porém, pode não impedir de todo que novas concessões ocorraram no segundo semestre “se houver bons projetos”.

    A CCR, responsável pelos 29,3 quilômetros do trecho Oeste do Rodoanel, que liga as rodovias Raposo Tavares, Castello Branco, Anhanguera, Bandeirantes e Régis Bittencourt, afirmou que uma reunião de diretoria nesta terça-feira definirá sobre eventual participação da empresa no leilão. A Ecorodovias e a Arteris afirmaram que ainda não decidiram se participarão da concorrência.

    A SPMar, dona da concessão dos trechos Sul e Leste do rodoanel, que interliga as rodovias Régis Bittencourt, Imigrantes, Anchieta, Presidente Dutra e Ayrton Senna, não respondeu de imediato.

    A partir de 9h da quarta-feira, a Artesp, agência reguladora paulista responsável pelo certame, receberá envelopes com propostas das candidatas. Se a proposta de maior valor for mais de 10% superior ao da segunda melhor, o vencedor é declarado imediatamente. Caso contrário, um leilão de leilão viva voz é aberto para apresentação de novas propostas. Alckmin deve participar do evento.

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