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Google puxa bolsas americanas para baixo e afeta Bovespa

Exterior também pesa no mercado doméstico nesta quinta-feira; principal índice da bolsa brasileira perde o patamar de 60 mil pontos

Por Da Redação 18 out 2012, 18h23

As ações do Google puxaram o índice Nasdaq para baixo nesta quinta-feira, após o gigante da internet divulgar, por engano, um relatório preliminar que apontava queda de 20% em seu lucro líquido. Segundo os dados que ‘vazaram’, o lucro por ação antes de itens extraordinários teria sido de 9,03 dólares no trimestre encerrado em 30 de setembro, enquanto o mercado esperava lucros de 10,65 dólares por papel. O mercado reagiu e as ações da companhia americana chegaram a cair 9,03%. Diante disso, a bolsa eletrônica Nasdaq teve de suspender os negócios com os papéis da companhia às 12h50 (no horário de Brasília). Elas voltaram a ser negociadas uma hora e meia depois. Contudo, a retomada não estancou as perdas e ação do Google fechou em queda de 8%, a 695 dólares. O pessimismo contaminou os outros negócios da Nasdaq, que encerrou o dia com queda de 1,01%, a 3.072 pontos – a maior queda diária em três semanas.

Outra notícia que prejudicou o desempenho das bolsas americanas foi o aumento acima das expectativas no número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos. O índice Dow Jones caiu 8,06 pontos (0,06%) e fechou a 13.548,94 pontos. O S&P500, por fim, declinou 3,57 pontos (0,24%), encerrando a 1.457,34 pontos.

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Google – As bolsas dos Estados Unidos reverterem os ganhos obtidos mais cedo, após resultados preliminares do Google do terceiro trimestre serem publicados antes do programado, mostrando lucros aquém da média da previsão dos analistas. O balanço da companhia foi anunciado quatro horas antes do esperado. Um erro que a empresa atribuiu à editora R.R. Donnelly fez com que os resultados trimestrais da Google fossem apresentados à Securities and Exchange Commission (SEC, a comissão de valores mobiliários dos EUA) sem autorização.

As ações da American Express caíram 3% depois de a empresa reportar que a receita do terceiro trimestre ficou abaixo da estimativa dos analistas. Em contrapartida, os papéis da Travelers subiram 3,6%, o maior avanço no índice Dow Jones, após a seguradora anunciar números melhores do que os esperados. A Verizon Communications avançou 2,4% depois de reportar um lucro maior por causa de um salto em novas conexões wireless.

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Desemprego – Mais cedo, o Departamento de Trabalho dos EUA divulgou que o número de trabalhadores norte-americanos que entraram pela primeira vez com pedido de auxílio-desemprego subiu 46 mil, para 388 mil, após ajustes sazonais, na semana até 13 de outubro. Os economistas esperavam alta de 26 mil solicitações.

Já o índice de atividade industrial do Federal Reserve da Filadélfia subiu para 5,7 em outubro, de -1,9 em setembro. O resultado foi melhor do que a previsão de mercado, que previa avanço no indicador para 1,0.

O índice de indicadores antecedentes dos EUA, que sugere a direção da economia nos próximos meses, sinalizou um ganho sólido, ajudado por uma leitura forte nas permissões para construção, segundo o Conference Board. O índice aumentou 0,6% em setembro, mas o Conference Board revisou em baixa o dado de agosto para um declínio de 0,4%, a partir da queda de 0,1% reportada anteriormente. Os economistas esperavam alta de 0,2%.

Brasil – O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, não conseguiu sustentar os 60 mil pontos nesta quinta-feira, com fatores externos interferindo. Embora a China e os Estados Unidos tenham divulgados dados considerados bons, a expectativa com a cúpula da União Europeia, no fim de semana, e alguns balanços corporativos decepcionantes no exterior desanimaram os investidores no país.

Internamente, a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), consolidando que o processo de queda da taxa básica (Selic) terminou, contribuiu para derrubar as ações do setor de construção. As blue chips (Vale e Petrobras) também amargaram perdas.

Com isso, o Ibovespa encerrou o dia com declínio de 0,59%, aos 59.733,90 pontos. Os ganhos acumulados no mês e no ano foram reduzidos a 0,94% e 5,25%, respectivamente. Na mínima, o índice atingiu 59.322 pontos (-1,27%) e, na máxima, ficou estável, em 60.087 pontos. O giro financeiro ficou em 7,090 bilhões de reais.

Para o operador institucional da Renascença Corretora, Luiz Roberto Monteiro, não há motivos para a Bolsa se manter nos 60 mil pontos e nem para subir. “As economias chinesas, europeia e dos Estados Unidos continuam fracas e, aqui no Brasil, o governo interfere em todos os setores. Tem motivo para a Bolsa subir?”, questionou o profissional, lembrando que a última vez que a Bolsa deu uma arrancada foi quando ocorreu o anúncio do terceiro afrouxamento quantitativo (QE3) nos EUA. “O QE3 melhorou por um tempo, mas não teve mais nada depois disso”, ponderou.

(com Agência Estado)

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