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Fundos de energia renováveis se tornam atrativos em meio à crise hídrica

Os fundos expostos a energias renováveis começaram a despontar no mercado com a atual crise do sistema elétrico

Por Luana Meneghetti Atualizado em 24 set 2021, 16h44 - Publicado em 24 set 2021, 12h00

O Brasil enfrenta a sua maior crise hídrica. O problema do país reside na dependência das usinas hidrelétricas, que em tempos de escassez de água ocasionam um blecaute no sistema elétrico. Por isso, nos últimos meses, os fundos de investimentos expostos a fontes de transição energética têm se mostrado bastante atrativos, não só em decorrência da situação interna, mas também da agenda global por energias limpas.

Em maio, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, já se dizia preocupado com o baixo nível dos reservatórios de água no Brasil e chegou a apontar que o Brasil passava pela sua pior crise hídrica desde 1931. Foi nesse mesmo mês, quando a crise hídrica começou a estourar, que a XP lançou um fundo exposto à energias renováveis, o Trend Energias Renováveis FIM, que replica o ETF iShares Global Clean Energy (ICLN), gerido pela BlackRock.

“O fundo replica o retorno de uma carteira de cerca de 30 ações. Entre as geografias mais representativas abrangidas, figuram os Estados Unidos, China e Nova Zelândia, enquanto os setores mais representativos são os de eletricidade renovável, de semicondutores e elétrico”, diz Davi Fontenele, analista de fundos de investimento da XP, em relatório.

O retorno do ETF iShares Global Clean Energy no acumulado do ano até 30 de junho foi de 89,18%. Em 2020, foi de 141,31% e atinge 217,13% nos últimos três anos.

Recentemente, a Vitreo também passou a oferecer aos investidores alocação em matrizes energéticas não poluentes por meio do fundo Vitreo Energia Limpa FIA. A maior parte da composição do fundo está exposta ao fundado negociado em bolsa ETF iShares Global Clean Energy, e o restante replica o desempenho de ações de diferentes empresas, entre elas Plug Power, Cameco e a brasileira Neoenergia (NEOE3). O fundo completou um mês de existência na sexta-feira passada, 17, e por isso ainda não há dados de retorno financeiro sobre o produto.

“Os fundos expostos a essas alternativas acabam absorvendo e refletindo as oportunidades das demandas climáticas, que vem sendo discutidas globalmente na transição para energias mais limpas e sustentáveis”, diz George Wachsmann, sócio e chefe da gestão da Vitreo.

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O Itaú Asset também passou a oferecer um portfólio de investimento em energias renováveis, o Itaú Index ESG Energia Limpa, que está exposto a mais de 80 empresas em mais de dez países. Em 2020, o fundo teve rentabilidade de 24,45% e desempenho de 19,13% acima do índice Ibovespa. Segundo Caíque Cardoso, especialista de portólio da Itaú Asset, em podcast, o fundo está ligado a empresas de energias renováveis, que ganham espaço nas discussões relacionadas ao clima, e que buscam trazer fontes de energia que tenham menos problemas ligados à escassez.

Segundo relatório do Itaú Asset, os custos mais baixos — como no caso da energia fotovoltaica que agora é mais barata do que as usinas movidas a carvão e gás natural na maioria das nações — junto com esforços do governo para reduzir emissões, vão dar às fontes renováveis maior participação no mercado de energia até 2030. O relatório ainda aponta que a transição energética global exigirá 3,8 trilhões de dólares de investimentos anuais no período de 2020 a 2050.

“Hoje, a tese de energia é bem mais aceita por investidores pois a demanda é certa e a oferta não está garantida”, diz Vitor Duarte, chefe de investimentos da Suno Asset. Para Duarte, por ser uma indústria de capital intensivo, é muito importante que mais participantes, de diferentes espectros, estejam interessados no desenvolvimento de novos ativos. “Nesse sentido, são muito bem-vindos os recursos do mercado de capitais”, comenta.

Na Bolsa
Enquanto o mercado registra perdas na bolsa brasileira em meio às pressões internas e incertezas causadas pela crise hídrica, o segmento de energia dispara em ganhos: o setor elétrico registrou desempenho de 2,07% na B3 em agosto, superior ao mercado.

As companhias Cemig e CPFL foram as que registraram melhor resultado do setor em agosto. De acordo com o relatório setorial da Teva Indices, de agosto, a Cemig acumulou alta de 14% no período, enquanto a CPFL se valorizou mais de 13% após a empresa publicar forte resultado no segundo trimestre e oferecer 1,7 bilhões de reais em dividendos. A explicação, segundo a Teva Indices, é que o setor de energia é defensivo para os investidores e, em momentos de desaquecimento da economia e piora das expectativas, tende a ganhar força. Afinal, é um gênero de consumo menos sensível a ciclos econômicos.

Os segmentos com melhor desempenho foram o de energia integrada (2,9%), distribuição de energia (0,3%) e transmissão de energia (0,1%). As companhias Cemig e CPFL foram as que registraram melhor resultado do setor.

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