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FMI visita Romênia em meio a protestos pelos cortes do Governo

Bucareste, 24 jan (EFE).- Uma delegação do Fundo Monetário Internacional (FMI) começará na quarta-feira uma visita de avaliação de duas semanas à Romênia, onde pelo 12º dia consecutivo centenas de pessoas protestam contra as políticas de austeridade do Governo.

A equipe do FMI examinará se a Romênia está cumprindo seus compromissos com a instituição, com a qual mantém desde 2011 um crédito de tipo preventivo no valor de 3,5 bilhões de euros, ao qual o país pode recorrer em caso de dificuldade.

A Romênia já obteve em 2009 do FMI, da Comissão Europeia e do Banco Mundial (BM) um empréstimo por dois anos no valor de 20 bilhões de euros.

Por esse acordo, Bucareste executou uma das políticas de economia e arrecadação mais severas da Europa, com medidas como a redução de 25% de todos os salários públicos, o corte das ajudas sociais e da alta do IVA de 19% para 24%.

A visita coincide com os maiores protestos do país há anos e o pedido da oposição socialista e liberal, além de milhares de manifestantes, da renúncia do Governo de Emil Boc e do presidente, Traian Basescu, ambos de centro-direita, pela rigidez dos cortes e da queda do nível de vida.

Manifestantes e políticos social-democratas e liberais também os acusam de autoritarismo, corrupção e nepotismo, e criticam Basescu por ter criado um regime personalista.

O primeiro-ministro reafirmou na segunda-feira no Parlamento sua defesa das políticas de austeridade, que na sua opinião trouxeram a estabilidade econômica ao país. No mesmo sentido se expressaram em várias ocasiões o FMI, a Comissão Europeia e agências de avaliação como a Moody’s.

No entanto, e como reconheceu o próprio Boc, a estabilidade ‘não foi notada no bolso dos romenos’, que têm a sensação de pagar por um desfalque do qual nunca foram beneficiados.

‘O que foi adotado não foram reformas, mas medidas desesperadas, insustentáveis a médio e longo prazo’, explicou à Agência Efe o economista Liviu Voinea, diretor do Grupo de Economia Aplicada (GEA).

A um dia da chegada do FMI, mais de 500 militares na reserva protestam em Bucareste contra os cortes.

Tanto Boc quanto Basescu se ausentaram nesta terça das comemorações do dia da União dos principados da Moldávia e Valáquia, onde os presentes exigem com gritos e cartazes a renúncia do primeiro-ministro e do presidente.

Ao longo do dia devem se repetir pelo 12º dia consecutivo os protestos espontâneos de centenas de pessoas em todo o país contra o presidente e o Governo. EFE