Clique e Assine a partir de R$ 19,90/mês

FMI desmente negociação de programa de apoio financeiro à Venezuela

Conversa telefônica entre empresário e ex-ministro do Planejamento, opositores do presidente Nicolás Maduro, cita suposto plano de aporte de até 50 bilhões de dólares

Por Da Redação 21 out 2015, 16h24

O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou nesta quarta-feira que não há negociações sobre um programa de apoio financeiro para a Venezuela, em resposta aos rumores de que a instituição estaria elaborando, com o suporte de opositores do presidente Nicolás Maduro, um plano de ajuste econômico para o país.

“O FMI não está negociando um programa de apoio financeiro para a Venezuela com ninguém”, ressaltou à agência EFE um porta-voz do órgão, que pediu anonimato, ao lembrar que esse tipo de auxílio só é dado se for solicitado pelo governo do país em questão.

A imprensa venezuelana divulgou uma conversa telefônica que teria ocorrido entre o ex-ministro do Planejamento, Ricardo Hausmann, e o empresário Lorenzo Mendoza. “Estive conversando com o FMI, o vice-presidente para o Hemisfério Ocidental é meu amigo há muitos anos. Ele anda muito preocupado com a Venezuela porque acredita que em algum momento a situação, que é muito ruim, vai afetá-los”, afirma a voz atribuída ao ex-ministro venezuelano, garantindo que a única maneira de a comunidade internacional coordenar uma ajuda econômica para os países é por meio do FMI. No caso da Venezuela, as negociações falavam sobre um pacote de até 50 bilhões de dólares.

Hausmann, atual diretor do Centro para o Desenvolvimento Internacional da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, disse a Mendoza que “não é possível pensar em uma saída para a Venezuela sem uma ajuda substancial internacional”, em referência à crise no país. O Fundo prevê uma contração de 10% da economia do país em 2015 e uma inflação acima de 160%.

Nesta terça-feira, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Diosdado Cabello, pediu aos parlamentares governistas que apresentem denúncias contra Mendoza, presidente da empresa alimentícia Polar, pela suposta negociação para obter recursos da FMI.

Continua após a publicidade

A Venezuela, sob o comando do ex-presidente Hugo Chávez, ordenou em 2007 que o país se retirasse do FMI e do Banco Mundial. Por isso, desde então, não há relações formais entre o governo e os órgãos financeiros internacionais.

Leia mais:

Maduro aumenta salário em 30% para fazer frente a inflação ‘de 80%’

A Venezuela e o amargo título de campeã mundial de inflação

(Com EFE)

Continua após a publicidade
Publicidade