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Fiscalização do transporte do leite não é obrigatória

Em entrevista ao site de VEJA, o presidente da Associação Brasileira de Leite Longa Vida, Nilson Muniz, explica que a adulteração foi possível porque esse tipo de análise não faz parte das exigências do Ministério da Agricultura

Por Talita Fernandes - 27 maio 2013, 18h10

A recente descoberta da fraude do leite, cometida por transportadores do Rio Grande do Sul, obrigou a indústria de laticínios a procurar o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para limpar a imagem azeda que ficou para todo o setor. Os transportadores acrescentavam produtos como formol e ureia no caminhão tanque antes de entregar o leite para as empresas. A proposta é intensificar o processo de fiscalização e acompanhar de perto diversos processos que compõem a cadeia de produção do leite. Em entrevista ao site de VEJA, o diretor-executivo da Associação Brasileira de Leite Longa Vida (ABVL), Nilson Muniz, explica como são feitos, hoje em dia, os testes no leite, quais são os problemas para a detecção de fraudes e como eles pretendem evitar que a segurança alimentar do consumidor corra novos riscos.

Por que ocorreu a fraude no Rio Grande do Sul?

Nesse caso específico, a análise em questão não era obrigatória, pois não havia, há décadas, indícios desse tipo de adulteração. Assim como todas as demais indústrias de produtos lácteos, a indústria de leite longa vida é fiscalizada pelo SIF (Sistemas de Inspeção Federal). Cabe a elas (empresas) aplicar todas as análises de boas práticas de fabricação exigidas pelas autoridades. Cabe ao governo fiscalizar seu cumprimento.

Como funciona o processo de análise do leite?

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O leite cru que chega à indústria é submetido a um extenso protocolo de análises exigidas pela legislação brasileira antes de ser processado para transformar-se em leite de consumo ou derivados. Mas algumas análises não são classificadas como de rotina.

Qual é a responsabilidade dos fabricantes pelas alterações na matéria-prima?

A análise para detecção desse tipo de adulteração não faz parte do conjunto de análises exigidas pelo Ministério da Agricultura (Mapa). Portanto, não é uma análise de rotina. Uma vez detectado o problema, a análise passou a ser feita sistematicamente para todas as indústrias lácteas do Rio Grande do Sul.

Depois de descoberto o caso, quais as medidas que foram tomadas?

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As empresas do Rio Grande do Sul, por determinação do Mapa, incluíram em seu processo de recebimento de leite cru análise específica para evitar a adulteração praticada pela quadrilha presa na região. Essa mesma análise, por orientação do Mapa, deverá ser implantada em todo o país. Esta será também a orientação da associação aos associados.

Como estão as conversas da ABLV com o Ministério da Agricultura? Alguma nova medida está prevista?

Esse episódio diz respeito à cadeia láctea como um todo. As entidades que representam todo o setor estiveram no último dia 22 em Brasília, em reunião conduzida pelo Ministério da Agricultura, para definir uma Agenda Positiva para a cadeia produtiva do leite. Essa agenda inclui cuidados e procedimentos relativos ao transporte e análise do leite até a plataforma de recebimento na indústria.

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