Fed mantém juros e reforça cautela diante de tensões no Oriente Médio, avaliam analistas
Banco central dos EUA mantém taxa básica inalterada e reforça que próximos passos dependerão da inflação, do mercado de trabalho e dos riscos geopolíticos
O Federal Reserve informou nesta quarta-feira (18) que decidiu manter a taxa de juros dos Estados Unidos entre 3,5% e 3,75% sinalizando cautela diante de um cenário ainda marcado por incertezas.
O banco central americano afirmou que a atividade econômica segue em expansão a um ritmo sólido, enquanto o mercado de trabalho permanece resiliente, com a taxa de desemprego estável nos últimos meses.
Para Rafael Pastorello, Portfólio Manager do Banco Sofisa, o principal destaque foi a ênfase no elevado grau de incerteza, tanto no ambiente doméstico quanto nos riscos geopolíticos associados aos desdobramentos no Oriente Médio. “Isso reforça a condução da política monetária de forma estritamente dependente de dados e do balanço de riscos do mandato duplo”, afirma Rafael. Apesar desse desempenho, a autoridade monetária reconhece que a inflação continua acima da meta de 2% no longo prazo, o que mantém a política monetária em compasso de espera.
Diante desse cenário, o Fed reforçou que seguirá avaliando cuidadosamente os dados econômicos antes de qualquer nova decisão sobre juros. A instituição indicou que eventuais ajustes na taxa básica dependerão da evolução da atividade, da inflação e do equilíbrio de riscos, mantendo a flexibilidade para agir caso surjam ameaças ao cumprimento de seus objetivos de pleno emprego e estabilidade de preços.
O comunicado também reiterou o compromisso do banco central em trazer a inflação de volta à meta, ao mesmo tempo em que sustenta o nível de emprego. Para isso, o Fed afirmou que continuará monitorando um amplo conjunto de indicadores, incluindo condições do mercado de trabalho, expectativas inflacionárias e o ambiente financeiro global.
Segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, as projeções do Federal Reserve indicam um cenário de crescimento mais forte à frente, com impactos mais concentrados no curto prazo. “O maior choque inflacionário tende a ocorrer em 2026, enquanto, para 2027, a expectativa é de uma inflação ainda relativamente controlada, próxima do centro da meta do banco central americano, apesar de ligeiramente mais elevada na margem” explica.
A decisão não foi unânime. O diretor Stephen Miran votou contra a manutenção dos juros e defendeu um corte de 0,25 ponto percentual já nesta reunião, sinalizando que parte do comitê começa a enxergar espaço para uma flexibilização da política monetária.





