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Europeus querem acordo de livre-comércio pronto em dois anos

Tratado comercial entre União Europeia e Estados Unidos vem sendo discutido há décadas - mas ganhou força na noite de terça-feira, após o discurso anual do presidente Barack Obama

Por Da Redação 13 fev 2013, 16h30

As negociações para um acordo de livre-comércio entre os Estados Unidos e a União Europeia (UE) devem começar poucos meses, após quase duas décadas de discussões – e autoridades europeias e americanas já têm até mesmo uma data limite para que o documento esteja pronto: dentro de dois anos. O prazo foi estabelecido por Karel De Gucht, o comissário de comércio exterior da União Europeia – e endossado pelos Estados Unidos. “Isso é extremamente importante para as nossas economias”, afirmou De Gucht ao jornal britânico Financial Times.

O prazo coincide com o fim da atual gestão de autoridades na Comissão Europeia (órgão responsável pelas questões comerciais da UE). Na avaliação de De Gucht, se o acordo não for concluído nesse período, poderá ser postergado pela gestão seguinte. Segundo o FT, todas as cláusulas do acordo deverão ser aprovadas pelos 27 países membros da UE, pelo parlamento europeu e pelo congresso americano.

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Analistas ouvidos pelo jornal acreditam, contudo, que as negociações não serão nada fáceis devido às tarifas já praticadas entre ambos – consideradas extremamente baixas. A expectativa é que os benefícios comerciais venham por meio de regulamentações harmonizadas, para que um produto ou serviço aprovado na Europa possa ser rapidamente vendido nos Estados Unidos, e vice-versa.

Relações comerciais – A UE exportou 260,6 bilhões de euros em mercadorias para os Estados Unidos em 2011, com 184,2 bilhões de euros indo do lado contrário. Em serviços, as exportações da UE foram de 127,1 bilhões de euros e as importações, de 130,5 bilhões de euros.

A queda de algumas barreiras comerciais (e agrícolas) também poderia acelerar o investimento direto do outro lado do Atlântico, que até agora totalizou cerca de 1,9 trilhão de dólares pelas empresas norte-americanas e de 1,6 trilhão de dólares pelas europeias.

Benefícios potenciais – Um acordo comercial abrangente pode aumentar a produção industrial e agrícola da Europa em 86 bilhões de euros ao ano, o equivalente a um aumento de 0,5% no Produto Interno Bruto (PIB) da UE. Para a economia americana, o impacto pode chegar a 65 bilhões de euros, ou 0,4% do PIB até 2027.

Além disso, com os Estados Unidos e a União Europeia envolvidos em acordos comerciais regionais, um acordo comercial entre os dois iria efetivamente ampliar o alcance dos mercados para acordos existentes, como o Nafta e os acordos sul-americanos da UE.

Segundo as autoridades, o objetivo do acordo é chegar o mais perto possível da remoção de todas as tarifas sobre o comércio transatlântico nos produtos industriais e agrícolas, que atualmente são, em média, 5,2% para a UE e 3,5% para os Estados Unidos. A remoção das tarifas, estima a Câmara de Comércio dos EUA, iria aumentar o crescimento econômico em 180 bilhões de dólares ao longo de cinco anos.

(Com Reuters)

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