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Europa deve evitar saída da Grécia, diz Hollande

Por Denise Chrispin Marin

Washington – Numa defesa da preservação da união monetária europeia, o novo presidente da França, François Hollande, declarou nesta sexta-feira que os países da região “têm de fazer o que puderem” para impedir o abandono do euro pela Grécia.

No Salão Oval da Casa Branca, Hollande e seu colega americano, Barack Obama, alinharam-se contra a tese alemã de preservação do compromisso de austeridade fiscal pelos países mais afetados pela crise da dívida. Defenderam a prioridade, em curto prazo, ao crescimento.

A crise grega e a resistência da Alemanha em aceitar a retomada da economia europeia como objetivo de curto prazo estarão no centro das discussões do G-8, grupo das maiores economias industrializadas e a Rússia, hoje em Camp David, a residência de campo da presidência americana. O encontro do G-8 foi oficialmente aberto na noite de ontem, em um jantar, mas Obama fez questão de, nove horas antes, reunir-se com o novo líder francês, o socialista Hollande.

“Nós partilhamos algumas visões: o fato de que a Grécia tem de se manter na zona do euro e que todos nós temos de fazer o que pudermos para isso acontecer. O crescimento deve ser a prioridade”, afirmou Hollande, ao comentar sua conversa com Obama. “Haverá eleições na Grécia, e nós queremos enviar uma mensagem nesse sentido ao povo grego”, completou.

Diante da impossibilidade de formar um governo de coalizão nacional para levar adiante o plano de ajuste nas contas públicas, o presidente grego, Carolos Papoulias, convocou eleições para o dia 17 de junho – a segunda em menos de dois meses. A crise política alimenta os rumores de abandono da união monetária. Sem acesso aos recursos dos fundos europeus de socorro e do Fundo Monetário Internacional (FMI), a suspensão dos pagamentos da dívida seria o passo seguinte da Grécia.

A turbulência econômica na Europa tenderia a se alastrar para outros países endividados da região, afetar o crescimento econômico europeu e trazer prejuízos a outros mercados, como os EUA. O cenário é temido não apenas pelo seu impacto na economia real americana, cuja retomada foi desacelerada nos últimos meses. Mas também terá efeito direto no resultado do projeto de Obama de reeleger-se em novembro para mais um mandato.

“Nossas economias dependem umas das outras. O que acontece na Europa tem impacto nos EUA e vice-versa. Quanto mais coerentes nós somos, mais eficientes podemos ser”, afirmou Hollande.

Na manhã desta sexta-feira, em antecipação às discussões do G-8, Obama anunciou o compromisso de companhias do setor privado americano em prover US$ 3 bilhões para o esforço de reduzir a fome e garantir melhores padrões de segurança alimentar, especialmente na África.

Trata-se de uma parcela do objetivo definido no encontro do G-8 em L’Áquila, na Itália, em 2009, de levantar US$ 22 bilhões de 45 companhias multinacionais. Obama acentuou ser uma “obrigação moral dos EUA” liderar esse esforço. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.