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Estudo oficial questiona qualidade dos dados de desemprego do Brasil

Rio de Janeiro, 16 fev (EFE).- Um estudo divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) questionou a qualidade das estatísticas oficiais do Brasil sobre desemprego, que subestimam o trabalho informal, o subemprego e as pessoas que pararam de buscar uma colocação no mercado.

O desemprego oficial foi de 6% da população ativa em dezembro de 2011, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que se baseia em dados compilados nas seis maiores regiões metropolitanas do país (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife).

O Ipea considerou que as medições do IBGE seguem os moldes dos países desenvolvidos, que contabilizam só a população ativa, ou seja, os trabalhadores e desempregados que buscaram emprego nos últimos trinta dias.

As estatísticas oficiais não incluem os que desistiram de buscar trabalho nem os casos de subemprego, como as jornadas parciais ou o caso dos profissionais qualificados que trabalham em empregos inferiores devido à ‘falta de dinamismo do mercado de trabalho’.

Os dados de desemprego também não demonstram que a maioria dos trabalhadores brasileiros desempenha atividades de baixo conteúdo tecnológico e mal remuneradas, um fator estrutural da economia brasileira, segundo o texto.

Entre os novos contratados, 70% ganha até dois salários mínimos (R$ 1.244 reais), e a porcentagem de empregados domésticos é ‘muito elevada’ e representa 7% dos assalariados do país, segundo dados do Ministério do Trabalho.

O Ipea também indicou que existe falta de mão de obra qualificada em vários setores e lembrou que uma grande porcentagem da população brasileira trabalha na informalidade.

No entanto, o organismo oficial reconheceu que em alguns setores e profissões foram registradas melhorias salariais.

Em suas conclusões, o documento assegurou que é necessário melhorar as estatísticas oficiais com um estudo de desemprego de dimensão nacional, ao mesmo tempo que é preciso avançar na medição da produtividade e do emprego por setores. EFE