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Esporte Interativo quer NET e Sky para crescer na TV Paga

Investimento de R$ 80 milhões da Turner permitirá ao canal esportivo entrar num mercado em que a competição pelo público é mais acirrada; acordo entre as empresas foi anunciado nesta segunda-feira

Por Márcio Kroehn 10 jun 2013, 09h05

O Esporte Interativo tem pressa. O canal multimídia especializado em conteúdo esportivo quer crescer ainda este ano na TV paga. Para isso, nesta segunda-feira, o EI, como é conhecido, anuncia seu novo sócio. A Turner Latin America, do grupo Time Warner, investirá 80 milhões de reais e terá dois de sete assentos no Conselho de Administração – como antecipou o Radar On-line de VEJA no final de semana. A intenção é entrar nas TVs NET e Sky em 2013.

O maior ganho, claro, é a especialidade do novo sócio: os canais pagos. Dona de Cartoon Network, TNT, CNN entre outros, a Turner será a porta de entrada para o EI num mercado já ocupado no país por SporTV, ESPN, Fox Sports e BandSports. Para brigar de igual para igual com todos eles, os sócios apostam num conceito que está no DNA da empresa desde a sua criação em 1999: a multiplataforma. Hoje, o EI está na internet, nas redes sociais, no celular e na TV. Em todos eles, tem uma participação expressiva. No ano passado, por exemplo, relançou o site em parceria com o Yahoo e pulou do sétimo para o terceiro lugar em audiência no segmento esportes da internet no país, atrás de Uol e globoesporte.com. Até o final do ano, o EI vai lançar o canal em High Definition (HD).

Inicialmente, a participação da Turner no Esporte Interativo não será divulgada. O que se sabe é que a aquisição é de uma fatia minoritária relevante. “Queríamos manter o controle e buscamos um sócio que entendesse a nossa necessidade dentro do negócio”, diz Leonardo Lenz Cesar, um dos três sócios-fundadores que esteve diretamente envolvido no acordo com o grupo americano. Durante um ano, ele ficou mergulhado em longas reuniões, análises detalhadas, contratos extensos e os planos para o futuro. Lenz Cesar falou ao site de VEJA.

Por que a escolha da Turner?

Eles eram o único grande grupo americano de tevê paga sem um canal de esporte no Brasil. A Disney tem a ESPN e a Fox tem o Fox Sports. A Turner não tinha. Além disso, eles foram os criadores do conceito da ‘tevê em todos os lugares’ (TV Everywhere), que é o nosso conceito desde o início. Foi um acordo que permite a continuidade do que já fazemos.

O que a Turner acrescenta ao negócio?

Serão 80 milhões de reais de investimento e as duas vagas no Conselho. Mas nenhum dos sócios está mais rico. O que conseguimos, agora, é ter uma oportunidade para dentro de uma nova realidade. Até agora trabalhamos de maneira dura e difícil, sem poder fazer determinadas apostas de longo prazo. Com a entrada de um sócio grande, podemos planejar com tranquilidade.

O acordo é relevante pelo espaço na TV paga, que vocês não tinham?

Sem dúvida está entre os principais motivos do acordo. A Turner tem uma longa história em tevê paga. Nós estávamos em busca de acordos. A experiência deles nos Estados Unidos, um mercado mais competitivo e complicado que o nosso, vai ser muito importante, ainda mais com todas as transformações na área de entretenimento que estão em andamento. Vamos conseguir antecipar no Brasil muitas tendências com um sócio como eles.

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Existe algum evento que o Esporte Interativo passa a ter os direitos imediatamente?

A princípio a programação continua como está. Temos tempo para discutir esse ponto e pensar o que podemos fazer nesse sentido. Um ponto, porém, é imediato. A Turner é muito forte na área de licenciamento. A marca Cartoon é bem explorada e queremos aproveitar esse conhecimento para nossos produtos, como a Copa do Nordeste. Temos 10 anos de direito de exclusividade em um torneio que mexeu com a região e foi um sucesso neste ano. Para nós, esse universo do licenciamento é novo e queremos aprender para explorar bastante com as nossas marcas.

O que o Esporte Interativo oferece para a Turner?

Nos próximos três, quatro anos, o Brasil vai ser o centro do que de melhor vai acontecer em esportes no mundo. É ótimo fazer parte de um negócio com essa perspectiva. Eles entraram buscando isso.

A Copa das Confederações está próxima, mas o clima esportivo continua gelado. Por que ainda confiar nessa previsão?

Concordo. A sensação que tenho é que o sentimento deveria estar mais forte agora. Não sei por que está demorando a pegar. Mas com a Copa das Confederações e a seleção brasileira jogando de forma constante no país, com os estádios inaugurados, vai pegar. É só pensar no Pan de 2007. Quando os Jogos começaram, houve um engajamento forte. Após a Copa das Confederações isso também vai acontecer. Até as Olimpíadas, muitos eventos mundiais de diversas modalidades vão manter o país aquecido. O brasileiro adora esportes.

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