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Espionagem faz governo adiar decisão sobre caças, diz jornal

Reportagem do Valor Econômico desta quinta-feira diz que espionagem americana prejudicou o andamento dos negócios com a Boeing, e que a compra de novos caças para a FAB deve ficar para 2015

O projeto de compra de novos caças para a Força Aérea Brasileira (FAB) ainda está longe de ser resolvido e deve ser adiado para 2015, segundo reportagem publicada pelo jornal Valor Econômico na edição desta quinta-feira. O veículo cita fontes próximas à presidente, dizendo que o assunto estava próximo ao fim, e deveria favorecer a norte-americana Boeing, mas deve ser adiado após a denúncia de espionagem dos Estados Unidos, que teve como alvo a própria Dilma Rousseff.

A reportagem diz que seria comprado, inicialmente, um lote de 36 caças F-18 Super Hornet da norte-americana Boeing. A compra é avaliada em 5 bilhões de dólares. Segundo fontes do Palácio do Planalto, o projeto só iria adiante se o presidente dos EUA, Barack Obama, mudasse seu posicionamento sobre as denúncias de espionagens feitas pela Agência Nacional de Segurança (NSA), apresentando explicações pretendidas por Dilma.

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As mesmas pessoas argumentam que, sem uma resposta da Casa Branca, o projeto deve ficar para 2015, já que 2014 é ano eleitoral e não devem ser tomadas decisões sobre o assunto no período de corrida presidencial.

A matéria cita ainda a possibilidade de Dilma optar pela mesma ação adotada por seu antecessor, de comprar caças usados para “tapar buracos”. Em 2005, o ex-presidente Lula, alegando que o Fome Zero era sua prioridade, decidiu comprar um lote de 12 Mirage usados para não depender dos F-5, atual frota da FAB. O Valor informa ainda que o novo adiamento deve criar um problema para a proteção do espaço aéreo, já que o ciclo operacional desses caças Mirage termina no final deste ano. Por isso, surgem especulações de que Dilma pode adotar o mesmo “jeitinho” de seu antecessor.

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Histórico – A novela sobre a compra de novos caças começou há 13 anos, ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso, que criou o Programa de Fortalecimento de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro, cuja principal pretensão era a compra de 12 a 24 caças, projeto conhecido como FX. Na troca de governo, Lula disse que a compra de novos caças não era prioridade de seu mandato e, assim, as propostas recebidas pelo governo expiraram em 2004, enterrando o FX.

Após a compra de caças usados, em 2005, o governo só retoma as discussões em 2008, criando o projeto que ficou batizado de FX-2. Após assumir o governo, Dilma deixou o projeto de lado e, apenas em setembro deste ano, Boeing e FAB davam sinais de uma conclusão, até o surgimento das espionagens, que jogou um novo balde de água fria nas negociações.