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Espanha avança atuação no âmbito do biodiesel em resposta à Argentina

Madri, 20 abr (EFE).- O Governo espanhol anunciou nesta sexta-feira a adoção de novas medidas no âmbito do biodiesel em resposta à decisão das autoridades da Argentina de expropriar 51% da companhia petrolífera YPF, uma filial da Repsol.

O anúncio foi feito pela vice-presidente e porta-voz do Executivo, Soraya Sáenz de Santamaría, após a reunião do Conselho de ministros viabilizada para analisar as possíveis medidas para contornar a desapropriação das ações da Repsol.

A vice-presidente destacou ‘o enorme apoio’ internacional que o Governo da Espanha vem recebendo por conta desta medida anunciada pela Argentina e afirmou que o Executivo espanhol ‘seguirá buscando medidas e ações’ para reverter essa situação.

Soraya explicou que o ministro da Indústria, José Manuel Soria, colocou ao Governo uma ordem ministerial sobre ‘biodiesel’ que entrará em vigor sábado após a publicação oficial.

Embora os detalhes caibam ao Governo, a vice-presidente adiantou que se trata de ‘um sistema de medidas com o objetivo de estabelecer as circunstâncias em que se darão as de biodiesel.

Trata-se de uma ação ‘que dará apoio a essas operações de refino por parte de empresas espanholas e comunitárias e que procura colocá-las em uma situação adequada para poder emprestar o biodiesel em condições competitivas’, acrescentou.

A indústria espanhola de biodiesel reivindicou em março ao Ministério da Indústria, Energia e Turismo que publicasse a normativa de alocação para frear as importações que consideram desleais por parte da Argentina e da Indonésia e afetam o setor.

A vice-presidente agradeceu ‘o enorme apoio internacional’ dado ao Governo espanhol por causa do anúncio da presidente argentina, Cristina Kirchner, da desapropriação das ações de Repsol na YPF.

Considerou que este amplo respaldo evidenciou ‘a convicção de todos’ de que situações como a criada pelo anúncio da desapropriação afeta toda a comunidade internacional e são medidas que ‘vão contra os próprios interesses’ de quem as adota e danifica ‘sua reputação.

Agradeceu a resolução aprovada nesta sexta-feira pelo Parlamento Europeu, da qual destacou que afeta à ‘extinção do Sistema de Preferências Generalizadas’ tarifárias à Argentina e pode influenciar nas negociações em curso sobre acordo de associação entre a UE e Mercosul, do qual faz parte o país austral.

Das vantagens tarifárias se beneficiam em sua entrada ao mercado europeu os biocombustíveis e a matéria-prima para produzi-las, assim como óleos de soja e girassol; óleos essenciais; filés congelados de peixe; cítricos; tabaco; tangerinas e uvas de mesa.

Dados de 2010 da Comissão Europeia apontam que as exportações argentinas à UE beneficiárias das vantagens alfandegárias representaram 2,4 bilhões de euros, cerca de 27% do total das vendas desse país à União Europeia. EFE