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Entenda as acusações contra Paulo Sérgio, ex-diretor do BC suspeito de ajudar Daniel Vorcaro

Paulo Sérgio participava de um grupo de WhatsApp com Daniel Vorcaro e outro servidor do BC para influenciar decisões da autarquia em favor do Master

Bruno AndradePor Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 4 mar 2026, 09h38 •
  • O ex-diretor de fiscalização do Banco Central entre 2019 e 2023, Paulo Sérgio Neves de Souza, é suspeito de ser cumplice de Daniel Vorcaro por atuar informalmente em favor dos interesses do Banco Master, que foi submetido à supervisão da própria autarquia com a qual Paulo Sérgio mantinha vínculo funcional.

    “Os elementos informativos reunidos indicam que Paulo Sérgio prestava consultoria informal e contínua ao referido investigado, fornecendo orientações estratégicas sobre a atuação do Banco Central em processos administrativos envolvendo o Banco Master, inclusive sugerindo abordagens e argumentos a serem utilizados em reuniões com dirigentes da autarquia reguladora”, diz a investigação da Polícia Federal.

    Consta também que Paulo Sérgio revisava minutas de documentos e comunicações institucionais elaboradas pelo Banco Master e destinadas ao próprio Banco Central, sugerindo alterações e ajustes antes da formalização dos documentos perante a autarquia supervisora. Tal atuação incluía análise de ofícios, relatórios e manifestações técnicas que seriam submetidos ao órgão regulador, atividade incompatível com as atribuições de fiscalização exercidas pelo próprio servidor público.

    As investigações revelam, ainda, que Paulo Sérgio atuava como interlocutor interno dos interesses do Banco Master dentro do
    Banco Central, buscando influenciar a análise de processos administrativos, fornecer informações sobre procedimentos em curso e indicar estratégias para contornar dificuldades regulatórias enfrentadas pela instituição financeira.

    Em algumas situações, o investigado chegou a alertar previamente o controlador do banco Master acerca de movimentações financeiras que haviam sido identificadas pelos sistemas de monitoramento da autarquia, permitindo que fossem adotadas medidas para mitigar questionamentos regulatórios.

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    “Também foi identificado que Paulo Sérgio participava de grupo de WhatsApp com Daniel Vorcaro e Belline Santana, criado para facilitar a comunicação direta entre os envolvidos e permitir a discussão de estratégias relativas a temas de interesse do Banco Master”, diz a Polícia Federal.

    Além disso, os elementos investigativos indicam que o ex-diretor do BC intermediava ou auxiliava em tratativas relacionadas a operações societárias e financeiras de interesse do grupo econômico, chegando a mencionar potenciais interessados na aquisição de instituição financeira vinculada ao conglomerado e atuando como canal de comunicação informal entre o investigado e possíveis interlocutores do mercado.

    Em contrapartida à atuação descrita, há indícios de que Paulo Sérgio tenha recebido vantagens indevidas associadas aos interesses
    defendidos junto à instituição financeira investigada, as quais teriam sido operacionalizadas por meio de mecanismos indiretos e estruturas financeiras destinadas a ocultar a natureza ilícita dos pagamentos.

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