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Empréstimo do BNDES vira um problema para o JBS

O frigorífico brasileiro pode ter de pagar uma multa de meio bilhão de reais por não conseguir abrir o capital da americana Pilgrim's

Por Da Redação - 9 ago 2010, 14h27

O empréstimo de 3,5 bilhões de reais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao frigorífico JBS – um negócio de “pai para filho”, já que não implica pagamento de juros, dividendos ou qualquer outro custo durante um ano – virou um grande problema para a empresa brasileira, revelou o jornal O Estado de S. Paulo nesta segunda-feira.

Todo esse dinheiro tinha destino certo: a compra da americana Pilgrim’grs, realizada no ano passado e que consolidou o JBS como o maior produtor de carne processada do mundo. Pelo plano original, o frigorífico abriria o capital de sua filial nos Estados Unidos – de modo que o BNDES transformaria a dívida em ações. Faltou combinar com o mercado. O último repique da crise econômica assustou o investidor americano e o JBS já anunciou que não há condições para abrir seu capital neste ano.

O tropeço no mercado americano, embora não seja culpa do JBS, deverá lhe custar 300 milhões de dólares – o equivalente a meio bilhão de reais. Esse é o valor de uma multa prevista no contrato com o BNDES no caso de o JBS não conseguir abrir o capital nos EUA até dezembro. Procurados, o JBS afirmou que está em período de silêncio e o BNDES não quis se pronunciar.

O JBS já adiou duas vezes o plano de lançar ações no mercado americano. Seria o arremate do agressivo processo de crescimento internacional que começou com a compra da Swift na Argentina, em 2005. Dois anos depois, a empresa abriu seu capital no Brasil, captou recursos e adquiriu outras dez empresas no exterior, em apenas três anos.

Desde a compra da Pilgrim”s, em setembro, o cenário mudou, tornando as coisas mais difíceis para o JBS. A recuperação da economia global está mais lenta do que se imaginava por causa da crise na Europa. Os preços do milho e da soja (base da ração dos animais) subiram. A Rússia, um dos maiores clientes dos exportadores de frango dos EUA, fechou as portas para o produto. Tudo isso minou o interesse dos investidores americanos por ações de empresas de alimentos.

A compra da Pilgrim”s foi um negócio de ocasião. Como a empresa estava quebrada, suas ações, que chegaram a custar 32 dólares cada, despencaram para 40 centavos de dólar no auge da crise. O JBS arrematou a empresa pagando 3,5 dólares por ação. Hoje, elas valem o dobro. Além da pechincha, os irmãos Batista (Júnior, Joesley e Wesley) encontraram apoio no BNDES e sua política de criação de multinacionais brasileiras.

O BNDES comprou 3,5 bilhões de reais em debêntures (dívida que pode ser convertida em ações) do JBS. Esse modelo teve duas vantagens para os Batista: ao contrário de um empréstimo normal, não há pagamento de juros; e, como os papéis são convertíveis em ações, não contaminam o balanço da empresa, já muito endividada.

Para não ficar desprotegido, o banco estatal impôs uma condição – a tal abertura de capital nos Estados Unidos, até o fim do ano. Caso isso não aconteça, o BNDES tem direito a receber ações do JBS no Brasil. O frigorífico tem a opção de esticar o prazo até dezembro de 2011. Mas nesse caso é obrigado a pagar uma multa de 15% sobre o valor da operação – cerca de R$ 520 milhões.

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