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Em eventual governo, Temer quer ‘reequilíbrio fiscal gradual’

Segundo o ex-ministro Moreira Franco, um dos autores do plano econômico do PMDB, recuperação das finanças do país tem que ser paulatina 'senão você sufoca a população'

O reequilíbrio das contas públicas brasileiras será feito de forma gradual e acompanhado por políticas que criem empregos e aumentem a renda em um eventual governo do vice-presidente Michel Temer, segundo o ex-ministro Wellington Moreira Franco (PMDB). Moreira Franco é um dos políticos mais próximos do vice-presidente e ajudou a escrever o plano econômico do partido.

De acordo com o ex-ministro, que comandou a Secretaria de Aviação Civil e também a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República no mandato da presidente Dilma Rousseff, o maior desafio de uma eventual administração Temer será recuperar as finanças do país. “A busca do reequilíbrio terá que ser compatibilizada com incentivos para gerar emprego e renda”, disse. “Tem que ser um reequilíbrio gradual (…) senão você sufoca a população.”

Temer pode se tornar presidente do Brasil caso seja aprovado o impeachment da presidente Dilma Rousseff pelo Senado Federal. Muitos investidores têm apostado em um plano agressivo de austeridade em uma eventual gestão Temer como forma de recuperar a confiança no país e o grau de investimento na avaliação das agências de classificação de risco.

Caso venha a existir, o governo Temer terá como foco a atração de capital privado para infraestrutura, serviços públicos e o setor de petróleo e gás, disse Moreira Franco, que já foi governador do Rio de Janeiro. Ele disse que Temer vai impulsionar as concessões nas áreas de saneamento básico, habitação e transporte urbano e que serão oferecidas melhores condições aos investidores, evitando os erros da administração da presidente Dilma, que queria uma taxa menor de retorno. “Teremos mais concessões com regras mais claras e sem ideologia”, afirmou.

Recentemente, Moreira Franco encontrou-se com executivos do setor da construção, empresas de educação e bancos de investimento para explicar o plano do PMDB. “Pedimos aos investidores para ficarem calmos”, disse o ex-ministro. “A especulação e a volatilidade do dólar não são úteis. Elas criam um ambiente que enfraquece nosso setor externo”. Estiveram nos encontros representantes do Goldman Sachs e Morgan Stanley e gestores de fundos como Discovery Capital Management e AllianceBernstein.

Se Dilma escapar do impeachment, seus aliados dizem que o governo vai flexibilizar ainda mais a austeridade, com mais gastos de programas sociais e infraestrutura e liberando reservas bancárias para impulsionar o crédito.

Questionado, Moreira Franco não disse quem assumiria o Ministério da Fazenda e o presidente do Banco Central em um eventual governo Temer.

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(Com Reuters)