ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Dureza em comunicado do BC reduz chance de corte de juros em janeiro, apontam analistas

Banco Central lembra desaceleração da economia e leve melhora na inflação, mas fatores seguem insuficientes para alterar a Selic

Por Felipe Erlich Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 dez 2025, 19h40 • Atualizado em 10 dez 2025, 20h00
  • O mercado financeiro era unânime na expectativa de que o Banco Central (BC) manteria a taxa básica de juros em 15% ao ano na deliberação desta quarta-feira, 10, exatamente como ocorreu. Ninguém na Avenida Faria Lima, centro financeiro do país, ficou surpreso com a notícia, mas a linguagem utilizada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC foi alvo de análises de especialistas. A dureza persistente na comunicação do Copom foi um dos principais pontos destacados.

    “Exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”, diz o comunicado emitido hoje pelo BC. A mesma frase estava contida em divulgações anteriores e parte do mercado imaginava que poderia sofrer alguma modificação, por mais que pequena. “Isso faz com que aquela chance de cortar os juros na próxima reunião, em janeiro, fique descartada, na minha opinião”, diz Marcelo Bolzan, sócio da The Hill Capital, escritório de investimentos parceiro do banco BTG Pactual.

    A mudança mais relevante no último comunicado do Copom em relação à divulgação anterior, segundo analistas, foi a revisão da projeção de inflação para o segundo trimestre de 2027 de 3,3% para 3,2%. Por mais que pequena, a diferença de 0,1 ponto percentual se refere ao chamado “horizonte relevante” da tomada de decisão do BC.

    A economista-chefe do banco Inter, Rafaela Vitoria, aponta que a projeção de inflação está “bem próxima da meta”, que é de 3%, mas o BC não abriu espaço para discussão do início do ciclo de corte de juros. “Isso vai deixar o mercado dividido para a próxima reunião”, diz. Parte dos analistas pode seguir apostando em um corte em janeiro, mas essa posição certamente não será dominante se não houver grandes mudanças no cenário até lá.

    José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, frisa o tom contracionista mantido pelo Banco Central. “O comunicado indica, com clareza, que é muito pouco provável que o processo de redução da taxa de juros tenha início em janeiro”. O mais provável é que a queda da Selic comece em março, segundo Camargo. Bruno Perri, economista-chefe e sócio da Forum Investimentos, vai na mesma linha: “O tom do comunicado foi bem duro”, diz. “Dá um pequeno banho de água fria no mercado, que entendia que, por conta da inflação corrente abaixo do teto da meta e o enfraquecimento da atividade econômica, poderia haver uma suavização”, conclui.

    Continua após a publicidade

    Nesta quarta-feira, horas antes da decisão do Copom, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a inflação de novembro foi de 0,18%, de modo que a inflação acumulada nos últimos 12 meses foi de 4,46% — portanto abaixo do teto da meta perseguida pelo Banco Central, que é de 4,5%. Isso não foi suficiente para garantir a suavização de linguagem mencionada pelo economista.

    Desde a deliberação anterior do Copom, há cerca de um mês, o mercado também teve acesso a outro dado relevante, do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, divulgado na semana passada. O dado evidenciou uma clara desaceleração da economia brasileira, com variação positiva de apenas 0,1% nos três meses encerrados em setembro. Assim como no caso da inflação, o Banco Central não considerou essa questão suficiente para gerar mudanças significativas em sua política.

    A autoridade monetária constatou uma “trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, como observado na última divulgação do PIB”, diz o comunicado desta quarta-feira. O BC também chama a atenção, contudo, para a “resiliência” do mercado de trabalho. Vale lembrar que a taxa de desemprego medida pelo IBGE caiu para 5,4% no trimestre encerrado em outubro, a menor da série histórica, iniciada em 2012. O cenário de desaceleração da atividade econômica concomitante ao mercado de trabalho bastante aquecido é relembrado pelo Banco Central em sua comunicação.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    O mercado não espera — e você também não pode!
    Com a Veja Negócios Digital , você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).