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Dólar tem maior queda desde o julgamento de Lula

O dólar acompanhou cena externa, numa sessão marcada pelo baixo volume de negócios após a folga do Carnaval

O dólar fechou com queda de 2,27% nesta quarta-feira, a 3,2274 reais na venda, maior perda diária desde 24 de janeiro (-2,44%), dia do julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). Na semana passada, a moeda norte-americana subiu 2,73%, ao patamar de 3,30 reais.

O dólar acompanhou cena externa, numa sessão marcada pelo baixo volume de negócios após a folga do Carnaval, que manteve os mercados brasileiros fechados por dois dias seguidos.

“Hoje é um dia atípico, com baixo volume de negócios”, afirmou mais cedo o operador da corretora Advanced Alessandro Faganello, citando o cenário externo como o guia dos investidores locais.

Lá fora, o dólar recuava diante de uma cesta de moedas e outras divisas de países emergentes, como o peso chileno.

O movimento vinha após a divulgação de que a inflação ao consumidor nos Estados Unidos avançou mais do que o esperado em janeiro, mas que as vendas no varejo na maior economia do mundo surpreenderam e caíram no mês passado.

Esse sinal de perda de força da economia americana acabou se sobrepondo ao de inflação mais forte nesta sessão, depois dos fortes movimentos de aversão ao risco vistos recentemente nos mercados financeiros diante da preocupação de que o Federal Reserve, banco central americano, possa elevar os juros mais rapidamente do que o esperado, o que tende a afetar o fluxo de capitais globalmente.

Os juros futuros nos Estados Unidos, com isso, continuavam precificando cerca de 90% de chances de o Fed elevar os juros em março, próximo encontro do banco central, e cerca de 20% de que elevará a taxa quatro vezes neste ano. A própria autoridade monetária prevê três altas.

Juros mais altos nos EUA tendem a atrair recursos aplicados em outras praças financeiras, como a brasileira.

Internamente, o mercado manteve sua atenção em torno dos esforços do governo do presidente Michel Temer para aprovar neste mês a reforma da Previdência, considerada essencial para colocar as contas públicas em ordem.

O Banco Central brasileiro não fará leilão de swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, nesta sessão. Mas anunciou que continuará a rolagem dos contratos que vencem em março, no total de 6,154 bilhões de dólares, no dia seguinte, ofertando novamente até 9,5 mil swaps.

Expectativa do mercado

O Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta quarta-feira, 14, pelo Banco Central, mostrou que a projeção para a cotação da moeda americana no fim de 2018 seguiu em 3,30 reais. Há um mês, estava em 3,35 reais. O câmbio médio de 2018 seguiu em 3,28 reais ante 3,31 reais de um mês atrás. 

No caso de 2019, a projeção para o câmbio no fim do ano foi de 3,40 reais para 3,39 reais, ante 3,40 reais de quatro semanas atrás. Já a expectativa para o câmbio médio foi de 3,35 reais para 3,33 reais de uma semana para outra, ante 3,34 reais de quatro semanas atrás.