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Dólar forte prejudica a agenda de concessões

Com a alta da moeda norte-americana e dos juros dos EUA, diminui ainda mais a atratividade do programa de logística do governo federal

Por Da Redação 26 ago 2013, 12h29

As razões que levaram ao encarecimento do dólar poderão também reduzir o volume de recursos externos para o Programa de Investimentos em Logística (PIL), do governo federal. A migração de capitais para os Estados Unidos e outros destinos considerados seguros – consequência da possibilidade de mudança da política monetária norte-americana – reduz a atratividade de um programa que já era criticado pelo excesso de intervencionismo e por ser oferecido por um país que tem crescido pouco.

“Não virá tanto investimento externo quanto eles (o governo) esperam”, diz o professor Evaldo Alves, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “Não acho que haverá leilões vazios, mas a concorrência não será acirrada.”

“Para trazer dólares lá de fora, será preciso oferecer taxas internas de retorno maiores para os empreendimentos e aumentar a estabilidade jurídica e administrativa nos processos de concessão”, diz o professor Paulo Resende, coordenador do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral. Ele acha que a baixa rentabilidade oferecida pelos empreendimentos, somada a um ambiente político desfavorável às concessões por causa das manifestações recentes, “chacoalham” o interesse do investidor externo.

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A pouca atratividade para o capital externo é um problema porque o governo conta com ele para financiar uma parte considerável do programa. A maior parte, porém, deverá vir do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O governo já indicou a potenciais investidores em ferrovias que o banco está preparado para financiar todo o investimento. O mesmo vale para rodovias. No caso dos aeroportos, é exigida a presença de um sócio externo, e nesse caso o governo espera que ele já venha com sua parte financeira estruturada.

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Quanto menos dinheiro vier de fora, mais sobrecarregado ficará o banco oficial. “E haja orçamento para sustentar isso”, observa um executivo que esteve na semana passada em Brasília para discutir o programa.

A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, começam a semana na China para “vender” os empreendimentos do PIL. Eles foram convidados pelo governo daquele país para fazer uma exposição sobre o programa. Há expectativa, do lado brasileiro, da participação dos chineses com investimentos e tecnologia em ferrovias.

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Custo – O financiamento externo às concessões deverá ser mais afetado que o custo dos investimentos. No caso das rodovias, praticamente tudo que será utilizado nas obras de duplicação é matéria-prima local. O mesmo vale para os aeroportos, que exigirão um volume grande de obras civis. Eles ainda têm a vantagem adicional de ter a maior parte de suas receitas em dólar.

Em ferrovias, há uma parcela que precisa ser importada. O Brasil não fabrica trilhos, portanto será necessário importá-los para cobrir os 11 mil quilômetros que o governo quer ver construídos nos próximos cinco anos.

Ainda assim, o impacto não deverá ser grande, acredita o presidente para a América Latina da União Internacional de Ferrovias (UIC), Guilherme Quintella. Ele informa que 16% dos investimentos, abrangendo trilhos e outros equipamentos, virão de fora.

(com Estadão Conteúdo)

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