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Dirigentes regionais espanhóis se comprometem a cumprir meta de déficit

Mariano Rajoy convocou uma cúpula entre os presidentes das 17 comunidades autônomas para demonstrar união ao mercado diante da crise

Por Da Redação 2 out 2012, 12h44

Todos os presidentes autônomos espanhóis se comprometeram nesta terça-feira a cumprir os objetivos de déficit fixados para as regiões, embora alguns tenham discordado com a distribuição prevista entre as administrações para esse cumprimento. O compromisso ficou evidente nos primeiros discursos dos chefes de governo regionais, que tomaram a palavra após a declaração do presidente do Executivo, Mariano Rajoy, na cúpula regional realizada nesta terça-feira em Madri para criar uma frente comum perante a crise.

Fontes do governo central informaram que houve uma concordância total para a economia espanhola cumprir as obrigações impostas em termos de déficit. No entanto, alguns dos dirigentes regionais expressaram seu desacordo com a distribuição existente para esse cumprimento e reivindicam uma flexibilização similar à que autorizou a Comissão Europa no objetivo de déficit para a Espanha, fixado em 6,3% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2012 no lugar do 4,2% previsto.

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As comunidades autônomas espanholas, que administram grandes recursos por terem competências nas áreas de saúde e educação, se viram obrigadas a realizar fortes cortes neste ano para poder cumprir o objetivo de déficit, o que aumentou o mal-estar social.

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Rajoy, que reiterou que ainda não decidiu se finalmente recorrerá à ajuda do fundo de resgate permanente europeu, convocou uma cúpula nesta terça-feira em Madri entre os presidentes das 17 comunidades autônomas espanholas em uma tentativa de reunir forças frente à crise e enviar uma mensagem de unidade à União Europeia (UE) e aos mercados.

A reunião acontece também em meio a fortes tensões sobre o modelo de financiamento regional, com o descontentamento manifestado publicamente por vários presidentes autônomos com o Orçamento Geral do Estado para 2013, marcado pela austeridade imposta pela necessidade de reduzir o déficit público como exige a UE.

A cúpula é realizada a menos de um mês das eleições autônomas na Galícia e no País Basco, e dois meses antes das convocadas na Catalunha. Essas últimas foram adiantadas em dois anos pelo presidente regional, o nacionalista Artur Mas, para abrir um processo defensor da soberania no qual os catalães possam decidir sobre seu futuro depois que Rajoy rejeitou dar um tratamento fiscal especial à Catalunha, que considera que fornece muito mais do que recebe dos cofres do estado espanhol. Mas reivindicou em seu discurso uma distribuição mais “justa” dos objetivos do déficit entre as autonomias e o estado sem aludir a outras reivindicações como o pacto fiscal, segundo informaram fontes ligadas ao presidente catalão.

Já o presidente da comunidade Autônoma de Madri, Ignacio González, defendeu a união nacional e advogou por paralisar as ameaças territoriais para que a Espanha possa obter liquidez financeira e os compromissos necessários da UE, informaram fontes do governo madrilenho.

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(com agência EFE)

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