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Desigualdade na vacinação entre países pode custar mais de US$ 2 tri

Estudo mostra que economias mais pobres arcarão com cerca de dois terços dessas perdas

Por Alessandro Giannini Atualizado em 25 ago 2021, 15h54 - Publicado em 25 ago 2021, 15h53

O lento processo de vacinação e a disponibilidade desigual das vacinas contra a Covid-19 em diferentes países podem levar a perdas massivas para a economia global. Os países ricos administraram cem vezes mais vacinas contra o coronavírus do que as economias mais pobres. Um estudo conduzido pela The Economist Intelligence Unit (EIU), braço de pesquisas da revista britânica, mostra que países que não atingirem as taxas de vacinação de 60% até meados do próximo ano, o declínio acumulado do PIB será de 2,3 trilhões de dólares de 2022 a 2025.

“Os países emergentes arcarão com cerca de dois terços dessas perdas”, declara em comunicado Agathe Demarais, diretora de previsão global da EIU. “Em termos absolutos, a Ásia é, de longe, o continente mais afetado, com perdas acumuladas de US$ 1,7 bilhão.” Enquanto isso, em termos de tamanho da economia, as perdas mais significativas serão incorridas pelos países da África Subsaariana – 3% do PIB projetado para 2022-2025. Na América Latina, as perdas no período podem chegar a até 0,3% do PIB.

Segundo o documento, as campanhas de vacinação estão progredindo em um “ritmo glacial” nas economias de baixa renda. O consórcio internacional da Organização Mundial da Saúde para fornecer vacinas contra o coronavírus para as nações pobres, Covax, não conseguiu corresponder às expectativas, mesmo modestas. Com isso, há pouca chance de a divisão sobre o acesso às vacinas ser superada, com os países ricos fornecendo apenas uma fração do que é realmente necessário.

“Finalmente, o foco nas economias desenvolvidas está mudando para a administração de doses de reforço de vacinas contra o coronavírus, o que agravará a escassez de matérias-primas e gargalos de produção”, acrescenta o documento. A EIU disse que seu estudo foi conduzido combinando suas previsões internas para cronogramas de vacinação em cerca de 200 países com previsões de crescimento do PIB.

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