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Desembolsos do BNDES aumentam no ano — mas consultas caem 11%

Banco teve desembolsos de 146,8 bilhões de reais até outubro, resultado 35% maior do que ano passado, e repasses aumentaram em todos os setores

Por Da Redação 9 dez 2013, 15h41

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou nesta segunda-feira que os desembolsos de janeiro a outubro chegaram a 146,8 bilhões de reais, número que representa alta de 35% na comparação com mesmo período do ano passado. Todos os setores apoiados pelo banco registraram aumento do volume de financiamentos, com destaque para infraestrutura (31%), que teve liberados 47,3 bilhões de reais, e comércio e serviços, com alta de 52% e empréstimos equivalentes a 40 bilhões de reais. O setor industrial também registrou crescimento – de 19%, com desembolsos de 44,7 bilhões de reais.

As consultas ao BNDES, em particular, ditam a tendência dos investimentos e o ímpeto dos empresários em desenvolver projetos. De janeiro a outubro, as aprovações de projetos somaram 167,7 bilhões de reais, crescimento de 7% na comparação anual, enquanto as consultas (primeira fase do processo, com o pedido de financiamento), no total de 222,5 bilhões de reais, caíram 11% no período.

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O banco de fomento atribuiu o recuo à alta base de comparação. “No segundo semestre do ano passado, houve forte concentração de projetos no BNDES, sobretudo com o Programa de Apoio ao Investimento dos Estados e Distrito Federal (Proinveste), de 20 bilhões de reais. Também haviam dado entrada no banco grandes investimentos ligados aos setores de petróleo e gás, energia elétrica e aeroportos, entre outros”, diz o comunicado.

Mudança de rumo – Contudo, os balanços já começam a mostrar a desaceleração dos desembolsos do banco na economia brasileira. Tanto o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, quanto o próprio ministro Guido Mantega afirmaram, em diversas ocasiões, que a atuação da instituição deve mudar a partir de 2014 – o apoio ao setor produtivo deve diminuir e os investimentos devem ser direcionados prioritariamente para a infraestrutura. O objetivo da mudança é tornar a economia menos dependente dos recursos subsidiados, demandando menos aportes do Tesouro no BNDES.

Desde 2008, o BNDES recebeu cerca de 350 bilhões de reais do Tesouro, já contabilizados os 24 bilhões repassados ao banco na última semana. No início de novembro, Mantega afirmou, em entrevista à Bloomberg, que haveria um corte de 20% na concessão de crédito em 2014.

Os aportes ao BNDES têm sido alvo de críticas num momento em que o governo se torna cada vez menos capaz de cumprir a meta fiscal, que é o esforço feito pelo setor público para pagar os juros da dívida. Na última década, o banco tem sido usado pelo governo como um veículo forte de investimentos no setor privado, com o objetivo de criar “campeãs nacionais”. Contudo, os resultados não são animadores. A maior parte das empresas apoiadas pelo banco passa por dificuldades financeiras ou teve de ser vendida, como é o caso da Oi.

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Setores – nos últimos 12 meses encerrados em outubro, os desembolsos do banco atingiram 194,4 bilhões de reais (alta de 35%); as aprovações de projetos corresponderam a 271,5 bilhões de reais (expansão de 43%); os enquadramentos (quando os projetos recebem o aval técnico), 272,3 bilhões de reais (alta de 3%); e as consultas, 285,7 bilhões de reais (1,3%).

Em 12 meses, o valor das aprovações (271,5 bilhões de reais) ficou equilibrado entre infraestrutura, com 92,6 bilhões de reais (35% do valor global), e indústria, com 85,3 bilhões de reais (31% do total). O setor de comércio e serviços recebeu 73,7 bilhões de reais (27% de participação) e agropecuária, 19,8 bilhões de reais (7%).

A produção de bens de capital lidera o desempenho da indústria. O comportamento se refletiu nos resultados da linha BNDES Finame, que registrou financiamentos recordes à aquisição de máquinas e equipamentos, com liberações totais de 57,7 bilhões de reais nos primeiros dez meses deste ano. Os desembolsos para o segmento “equipamentos de transporte” – que inclui ônibus, caminhões e aeronaves – somaram 29,2 bilhões de reais no período, com alta de 57%; e para o setor “equipamentos não-transporte” (máquinas-ferramentas, calderaria, etc), as liberações da Finame acumularam 17 bilhões de reais, com expansão de 86,2%.

O desempenho foi impactado positivamente pelo Programa BNDES de Sustentação do Investimento (BNDES-PSI). Com desembolsos de 68,2 bilhões de reais até outubro deste ano, o BNDES PSI contribuiu para impulsionar os investimentos do setor empresarial, inclusive das micro, pequenas e médias empresas, que ficaram com 56% do total liberado.

(com Estadão Conteúdo)

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