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CVM nega acordo com KPMG no caso Sadia

Auditoria queria encerrar o processo com um acordo de 350 mil reais

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) rejeitou acordo com a empresa de auditoria KPMG no caso Sadia, que apura as responsabilidades pelas perdas de 2,5 bilhões de reais sofridas pela empresa de alimentos em 2008, após arriscadas operações com derivativos cambiais. O caso vai agora para julgamento, ainda sem data marcada.

A KPMG e seus sócios e responsáveis técnicos Adelino Dias Pinho e Carlos Augusto Pires apresentaram ao todo proposta de 350 mil reais para encerrar o processo sem presunção de culpa. KPMG e Pinho pagariam 300 mil reais e Pires, 50 mil reais. A decisão divulgada ontem foi tomada em 14 de dezembro, no mesmo dia em que a CVM condenou dez ex-administradores da Sadia a pagamento de multas entre 200 mil reais e 400 mil reais cada, somando 2,6 milhões de reais, em processo ligado às mesmas operações.

O instrumento de alto risco adotado pela empresa apostava na estabilidade do dólar e quase comprometeu a própria sobrevivência da Sadia depois da crise global de 2008, quando a cotação da moeda deu um salto inesperado. A autarquia entendeu que a proposta dos acusados não se mostrou “adequada ante a gravidade das imputações formuladas e o contexto em que se verificaram as infrações”.

A autarquia disse ainda que a aceitação “não seria oportuna tendo em vista o caráter pedagógico-norteador do termo de compromisso (acordo) para os participantes do mercado, especialmente para os prestadores de serviços de auditoria independente a companhias abertas”. O comitê levou em consideração o histórico de acusações à KPMG na CVM e concluiu que a aceitação da proposta seria “inconveniente e inoportuna”.

(Com Agência Estado)