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Custos dos planos de saúde triplicarão em 15 anos

Gastos anuais das empresas privadas de saúde passarão de R$ 106 bilhões para R$ 283 bilhões em 2030, segundo levantamento de instituto

Por Da Redação 27 jul 2015, 15h11

Nos próximos 15 anos, os gastos das empresas privadas de saúde vão quase triplicar, passando de cerca de 106 bilhões de reais por ano para 283 bilhões de reais – com impactos para todo o sistema de saúde suplementar, incluindo os cerca de 54 milhões de beneficiários. Segundo projeções do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), o gatilho para um salto tão expressivo em um prazo tão curto é a mudança na demografia: o brasileiro não só está ficando mais velho, como vive mais e sente os contratempos que a longevidade costuma acarretar sobre a saúde.

Luiz Augusto Carneiro, superintendente do IESS, projeta um cenário “preocupante”. “Nossas projeções mostram que os custos vão crescer muito e rapidamente. As empresas e os beneficiários precisam se preparar desde já para as mudanças”, diz ele.

Carneiro destaca que será uma tarefa coletiva. As empresas terão de rever a gestão, buscar ganhos de eficiência e até repensar o tipo de serviço. Os beneficiários, por sua vez, terão de pensar a vida – e os cuidados com a saúde no longo prazo. Entender a matemática financeira da demografia, avalia ele, dá algumas pistas sobre o que fazer.

A premissa é que não há como deter o passar do tempo: os gastos com saúde avançam com o envelhecimento. Segundo o estudo, beneficiários de planos privados no Brasil com menos de 18 anos custam cerca de 1 mil reais – por ano. A conta com idosos acima de 80 passa de 1 mil reais – por mês.

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Reestruturação – Na avaliação de Mario Scheffer, especialista em sistemas de saúde e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), o setor terá “um grande desafio” para enfrentar o envelhecimento do brasileiro. “A maioria dos planos não só foi montada para jovens como expulsa o idoso”, diz.

A lista de ineficiências do sistema é longa, segundo ele. As redes credenciadas não têm profissionais e serviços adequados para a terceira idade, as mensalidades encarecem muito à medida que o beneficiário ganha idade, não há sistemas de bônus e preços diferenciados pelo perfil dos usuários, a maioria das empresas não tem nem sequer programas de prevenção.

(Com Estadão Conteúdo)

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